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Opinião

Mania de dirigente

*Capa: Fernanda Luz/AGIF

Tradicionalmente, a aposta de todo dirigente de clube era pelos treinadores mais experientes. Depois, chegou a vez dos jovens. Sem resultados expressivos, esses deram seus lugares aos gringos, que agora também começam a ser contestados. Não dá para entender tamanha falta de coerência. A verdade é que os dirigentes dos clubes brasileiros não têm convicção de nada no futebol. Apontam para o que está na moda e mudam de treinadores como se troca de roupa. Na maioria das vezes, essa atitude é para dar uma ‘resposta’ aos torcedores diante da falta de resultados positivos.

Há cerca de três anos, os treinadores mais rodados começaram a perder espaço para os técnicos emergentes. Virou febre nomes como Fábio Carille, Jair Ventura, Alberto Valentim e Zé Ricardo. Deram resultado no início, mas depois caíram de produção e passaram de solução a esquecidos. Tanto que nenhum dos quatro citados acima está empregado atualmente. No ano passado, com o sucesso de Jorge Sampaoli (Santos) e, principalmente, de Jorge Jesus (Flamengo), os olhares dos dirigentes se voltaram para o mercado externo. A partir do segundo semestre de 2019, a solução passou a ser técnico estrangeiro. Descobriram a roda. Nada mais importava.

Assim, vieram para o Brasil neste ano Jesualdo Ferreira, compatriota de Jesus, contratado pelo Santos, que perdera Sampaoli; Rafael Dudamel, venezuelano e aposta do Atlético-MG; e Eduardo Coudet, que desembarcou no Internacional. De quebra, ainda chegou o também português Augusto, contratado pelo Avaí. O que era uma solução, porém, parece que está virando pesadelo para os dirigentes apenas dois meses depois. Dos quatro treinadores que chegaram de fora neste ano, somente Coudet está 100% garantido no momento. Jesualdo já sofre pressão no Santos; Dudamel já caiu com o Galo na Sul-Americana e na Copa do Brasil, e o português do Avaí foi dispensado na última semana.

Isso prova a competência dos cartolas brasileiros. Planejamento perfeito! Brincadeiras à parte, o que se vê é uma total falta de convicção nas decisões. Isso em todos os clubes brasileiros, sem exceção. Para não dizer que não falei das flores, lembro, ainda, da absurda demissão de Cristóvão Borges do comando do Atlético-GO. Com sete vitórias, incluindo os 3×0 no clássico contra o Goiás, e apenas uma derrota, ele foi dispensado porque seu estilo de jogo é muito ofensivo. Pelo menos, é o que diz a imprensa goiana. Definitivamente, não dá para entender o que passa pela cabeça de dirigente de futebol.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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