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Corpo & Mente

Mais difícil para as mulheres

Mais difícil para as mulheres - Cassiano de Santis

Mulheres têm mais dificuldades para emagrecer do que homens: tanto pesquisas e experiências profissionais apontam isso quanto as próprias mulheres, muitas vezes, sentem-se frustradas por verem amigos e familiares alcançando mais rapidamente os resultados que elas desejavam (e com menos esforço). As explicações são óbvias e certeiras: há diferenças biológicas entre os sexos, e questões hormonais e metabólicas favoreceriam o acúmulo de gordura por mulheres, enquanto contribuiriam para que homens emagreçam de forma acelerada.

Esse ponto ajuda a entender a diferença, mas não é tudo: também há percepções e comportamentos que aumentam o desafio proposto pela natureza. A começar pela ideia do que é ser gordo, para cada gênero: normalmente, mulheres são mais cobradas e cobram-se muito mais por isso. Não pelo percentual de gordura, mas porque uma ‘barriga de chopp’ que passa despercebida num homem pode ser inaceitável para uma mulher (em sua própria percepção e na dos demais). Daí decorrem outras dificuldades, além da insatisfação em si.

Serão decisivas as recompensas de curto prazo: companhias, prazer, competição com os outros e consigo mesmo

Para entender melhor, vejamos o Diagnóstico Nacional do Esporte, realizado pelo governo federal em 2013. Segundo o levantamento, metade das mulheres do país não realizou qualquer atividade física naquele ano, e 57% jamais praticou algum esporte (com regras e pontuação) na vida. Mais detalhes podem deixar os dados assustadores, quase inaceitáveis: após os 24 anos, cerca de 80% das mulheres deixam de se exercitar, e apenas 5% se mantêm após os 34. Entre as ativas, a atividade mais comum é a caminhada, e oito em cada dez procuram melhor a saúde, o bem estar ou a capacidade física.

Até aqui, temos alguns números; e o que eles dizem, afinal? Em especial, que exercícios físicos de uma forma geral são pouquíssimo atrativos para elas, que também estão ocupadas demais com trabalho, casa e família para encontrar tempo e disposição para eles: em geral, só o fazem por questão de saúde ou estética (lembrando que o Diagnóstico não oferecia a possibilidade de apontar a aparência como motivo para se exercitar). Com isso, outros papéis importantíssimos que o esporte e a atividade física poderiam ter na vida de alguém são negligenciados, como diversão, socialização e autoaprovação.

Para homens e mulheres, os melhores resultados do exercício físico para a saúde e a estética, especialmente o emagrecimento, só vão aparecer após alguns meses de prática, o que não é suficiente para manter a motivação. Serão decisivas para esta as recompensas de curto prazo: as companhias, o prazer, a competição com os outros e consigo mesmo. Coisas que ensinamos aos meninos desde cedo, e gradualmente escondemos das meninas atrás da triste ideia que emagrecer será difícil, mas essencial.

Cassiano de Santis é psicólogo

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