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Opinião

Lindos e históricos!

Dias desses, eu ‘perdi’ algumas horas ouvindo os hinos dos principais clubes brasileiros. E mais uma vez me encantei com a maioria deles. Não sou especialista na arte dos acordes e notas, longe disso, mas confesso que tenho bom ouvido para música. Por isso, posso afirmar que são de muito bom gosto. Os hinos apresentam a identidade das equipes; é o cartão de visitas, o DNA, a alma do torcedor. Já ouvi alguns de times do exterior e afirmo sem medo de errar que os hinos de clubes brasileiros estão entre os mais belos do mundo. De verdade!

Ao longo de minha carreira de jornalista esportivo, algumas vezes tive de responder a essa pergunta: na sua opinião, qual o hino mais bonito entre os times do Brasil? Não é uma missão das mais fáceis. Impossível, diria… E, depois de tanto tempo, ainda não sei indicar o meu número um. Então, estipulei o meu top-10, mas sem ordem definida: os cinco grandes do Rio de Janeiro (contando o América), mais Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Internacional e o Bahia – na bela voz da Cláudia Leitte, é claro!

Na maioria das vezes, a minha tendência era dizer que o mais belo entre os hinos era o do Flamengo. A letra exalta a fidelidade de seu torcedor (“Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”) e a melodia é única. Uma curiosidade é que a obra cita o maior rival: “Sempre amado, o mais cotado no Fla-Flu é o Ai, Jesus!” Vejo isso como um maravilhoso respeito à rivalidade, apesar de que o “Ai, Jesus” seria o equivalente a “ao maioral” ou “ao melhor”, o que indica o Fla como superior ao Tricolor.

Porém, apesar de achar o hino rubro-negro lindíssimo, nos últimos tempos eu me rendi justamente ao excepcional hino do Fluminense. Com uma introdução belíssima e um arranjo primoroso em toda a canção, ainda tem um verso que mostra o time das três cores como um exemplo a ser seguido: “Fascina pela sua disciplina”. Lindo e poético! Na mesma linha, vem um outro verso dos mais belos, agora no hino do Palmeiras: “Transformando a lealdade em padrão”. É de arrepiar! Além de Fla e Flu, é consenso de que os outros três hinos cariocas, também compostos pelo genial Lamartine Babo, estão entre os mais belos.

O Vasco fala de suas raízes (“No futebol, és um traço de união Brasil-Portugal”) e o América exalta o fanatismo de sua torcida (“Hei de torcer, torcer, torcer… Hei de torcer até morrer, morrer, morrer”). Apesar de ser acusado de plágio, o hino americano é maravilhoso, ainda mais quando cantado por um de seus torcedores mais ilustres: o saudoso Tim Maia. Vale a pena ouvir! O Botafogo, por sua vez, destaca, entre outras coisas, a sua superioridade (“Tú és o Glorioso, não podes perder, perder para ninguém!”).

Entretanto, há um erro histórico de Lamartine Babo na composição do hino do Fogão: a letra fala que o clube é ‘campeão desde 1910’, mas o Alvinegro levantou pela primeira vez uma taça em 1903, ou seja, sete anos antes. Mas vale como uma licença poética; nada que venha arranhar sua beleza. Os hinos de Corinthians e Atlético-MG também são muito interessantes. Uma semelhança é que ambos se apresentam como “campeão dos campeões”. O Galo ainda se autodefine como “campeão do gelo”.

E, seguindo a polêmica, eu (do contra, claro) destaco o hino do Internacional (“Glória do desporto nacional”) como o mais bonito do Rio Grande, apesar de a maioria preferir o “Até a pé nós iremos”, do Grêmio. Agora, se o Botafogo cometeu uma gafe na data da primeira conquista, os mais fervorosos colorados torcem o nariz quando o trecho do hino do Inter diz: “Colorado de ases celeiro; teus astros cintilam num céu sempre azul”. Não haveria nenhum problema se a cor não remetesse a seu maior rival. Por isso (pasmem!), já houve até campanha para trocar o ‘azul’ por ‘anil’ na letra oficial, mas a proposta não vingou.

E, por fim, ainda gosto muito do hino do Bahia. Os quatro primeiros versos unem uma certa pureza (“Turma Tricolor”) e a superioridade de sua torcida (“Ninguém nos vence em vibração”). É uma letra simples e sincera, aliada a uma melodia com a cara da Bahia. E, como já disse acima, fica muito mais bonito interpretado pela cantora Cláudia Leitte, uma das torcedoras-símbolo do clube. Espero que, depois de tudo isso, você tenha ficado com vontade de ouvir essas obras-primas. Eu, particularmente, amo escutar até os hinos de clubes menores. Pelo simples fato de que eles retratam, por muitas vezes, a história do clube e representam seus apaixonados fãs. O fato é que todos são sucesso de bilheteria e estão sempre em primeiro lugar na ‘playlist’ e no coração de seus apaixonados torcedores.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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