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Opinião

Líder e invicto, mas ainda não satisfatório

*Capa: Michel Lambstein

No papel, o XV de Piracicaba iniciou a Copa Paulista como favorito e fez o que dele se esperava após quatro rodadas: invencibilidade e liderança do Grupo 2, com a classificação encaminhada para a segunda fase. No campo, apesar do que dizem os números, a imagem que o XV passa ainda não é satisfatória. É verdade que o Tarcísio Pugliese, quando vê o banco de reservas, pouco pode fazer. Além das peças que perdeu do primeiro para o segundo semestre, jogadores que podem ser importantes no futuro estão lesionados – Hiroshi, por exemplo.

Não dá, porém, para atribuir o futebol tedioso apresentado apenas às carências do elenco. A equipe titular é boa, mas parece jogar ‘errado’. A formação tática lembra a que o técnico adotou no Paulista. Não é igual, porque a saída de Misael principalmente faz enorme diferença: o XV perdeu intensidade, velocidade e mudou a configuração no meio-campo. Não funcionou ainda o novo triângulo de base baixa (dois volantes e um meia). Recuado, Danilo Bueno não rende o que talvez possa render criando, e sobrecarrega Fraga na contenção. Cassio Gabriel está mal – foi substituído nos três jogos em que João Veras começou como suplente.

A defesa joga exposta, sobretudo pelo lado esquerdo. Gilberto Alemão é ótimo zagueiro, mas não é veloz. Robertinho atua no mesmo lado e, quando está focado, ajuda muito na proteção. O problema é que Robertinho, jogador sanguíneo, como gosta de frisar Pugliese, peca pelos excessos. O excesso de cartões, por exemplo, fragiliza o setor. O Velo Clube, sexta-feira (12), atacou quase sempre por ali. A Inter de Limeira, idem. Não fosse Luiz Fernando, o principal nome do XV de Piracicaba nas quatro primeiras rodadas da Copa Paulista, a invencibilidade não existiria.

Além de Luiz Fernando, não dá para não mencionar o papel de Raphael Macena. Nove clássico, Macena sabe usar o corpo e a experiência para proteger a bola, e quando a recebe em condição de finalizar, é um atacante com faro de gol. Porém, quando o meio-campo não cria e Kadu ou Luizinho não levam vantagem nos duelos individuais, Macena é obrigado a procurar o jogo, saindo da região em que sabe atuar – quanto mais longe do gol estiver, menos perigoso e eficaz ele é. Contra o Velo Clube, ele tentou organizar o ataque em quatro ocasiões no primeiro tempo. Errou três. No segundo, quando pôde definir as jogadas, acertou a trave duas vezes. Puro azar.

É possível e bastante provável que o XV evolua no decorrer da Copa Paulista. No entanto, talvez seja o momento do treinador repensar o planejamento tático e suas variações. O Alvinegro tem padrão de jogo definido e valorizo o fato de Tarcísio Pugliese apostar pela iniciativa. Só que quando uma equipe se torna previsível, o adversário tem mais armas para anular sua proposta – e aí não dá para jogar todas as fichas nos milagres feitos pelo goleiro ou num brilhareco da linha de frente.  Nem sempre será assim.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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