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Kickboxing

‘Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’

Gustavo Piacentini é tetracampeão na Copa do Brasil e vence algoz no WGP 29

Gustavo Piacentini enfrenta Renzo Martinez no WGP 31, dia 2 de julho, em Piracicaba
Gustavo Piacentini derrotou Hector Santiago na decisão da Copa do Brasil (Foto: Arquivo/WGP Kickboxing)

“Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima”

O samba paulista do compositor Paulo Vanzolini, eternizado na voz de Beth Carvalho e Jorge Aragão, é perfeito para contar a história do quarto título de Gustavo Piacentini na Copa do Brasil, conquistado nesta terça-feira (6). A narrativa começa com o resgate da confiança, abalada com a derrota no WGP 31, em Piracicaba, passa pela repentina variação de categoria e se encerra com o tabu que continua intacto: Piacentini nunca perdeu duas competições seguidas na carreira.

Piacentini disputa ainda os Jogos Abertos e o Pan nesta temporada

A busca pelo tetra começou conturbada no último domingo (4). Na Copa do Brasil, o atleta disputaria a categoria low kicks (63,5 kg), mas após a pesagem foi informado pela arbitragem de que não haveria combate pela divisão. O motivo não foi revelado. Piacentini, então, recusou a medalha sem luta e pediu à organização para disputar a categoria K1 e teve a solicitação aceita. Na segunda-feira (5), o atleta estreou com vitória por decisão unânime e garantiu a classificação para as semifinais, que deveriam ser realizadas no dia seguinte. Deveriam, mas não foram.

“Após a primeira luta, fui rápido almoçar, pois eu sabia que teria de bater o peso para o dia seguinte. Depois do almoço, recebi a informação de que a programação havia sofrido alterações e eu deveria lutar a semifinal naquele instante. Entrei no ginásio e fui chamado para o ringue. Não estava acreditando. Eu estava ‘cheio’ e argumentei com a arbitragem que minha luta não estava prevista para aquele dia, falei que tinha acabado de almoçar, mas não teve jeito”, contou Piacentini. O atrito foi resolvido após conversa com o staff do goiano Douglas Nunes, adversário do piracicabano nas semifinais: o confronto seria disputado uma luta depois do previsto.

Piacentini teve oito minutos para se preparar. No aquecimento, vomitou. “Fui para o ringue sentindo ânsia”, admitiu. Resultado? Vitória de Piacentini por decisão unânime contra o mesmo adversário que havia sido superado em maio, nas quartas de final do Campeonato Brasileiro. “Foi muito importante, mas eu ainda estava engasgado, as duas primeiras vitórias não tinham me deixado completamente alegre”, contou o atleta. A declaração foi clara referência à derrota sofrida em casa para o boliviano Renzo Martínez, pela 31ª edição do WGP. Foi o revés mais duro de digerir na carreira do piracicabano. Abalado, Piacentini confessou ter pensado em desistir. Fez bem ao continuar.

‘ALMA LAVADA’

Um homem de moral
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima”

Dois meses depois, Piacentini teve a chance de se reconciliar com ele próprio. Caprichosamente, o destino reservou a decisão contra Hector Santiago, titular da seleção brasileira K1, líder do ranking profissional e algoz do piracicabano na final do WGP 29, em Maringá (PR). Piacentini entrou no ringue focado e não se poupou, mesmo sabendo que teria pela frente duas competições importantes – Jogos Abertos do Interior, evento do qual é recordista de títulos e busca o hexacampeonato, e o Pan de Cancún, no México.

Foram três rounds de trocação franca e com o ginásio aplaudindo em pé. Três rounds vencidos por Piacentini de forma unânime. Com o braço erguido pela vitória, o atleta piracicabano soltou um grito como poucas vezes faz. Um grito que estava engasgado há dois meses. “Eu já tinha vencido os dois primeiros rounds, mas tirei um gás não sei de onde porque queria a vitória a qualquer custo. Tenho que agradecer aos meus fãs e todas as pessoas que acompanham meu trabalho pela força que me deram, meus treinadores Wilson Teodoro e Marcos Ribeiro e o Yuri Henrique (preparador físico). Se dependesse apenas de mim, não teria tanta motivação para me superar. Muito obrigado”, desabafou Piá, revigorado após recuperar um lugar que geralmente é seu: o topo do pódio.

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