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Basquete

Kemylly: uma história, algumas lições e muita esperança

'Eu vivia com raiva, chorava. Não sou mais violenta e sonho em tirar minha mãe da cadeia'

Kemylly, sorrindo: as atividades do IPM foram decisivas para que a menina pudesse sonhar com o esporte

*Fotos: IPM/Divulgação

Enquanto posiciona o corpo e olha fixamente para a cesta, Kemylly segura a bola com firmeza nas duas mãos. É nos ombros, porém, que a menina de apenas 10 anos carrega o fardo mais pesado. A ansiedade pela visita do pai e a distância da mãe, presa em Angola, são os obstáculos mais difíceis que ela encara diariamente. Há dois anos, Kemylly frequenta as aulas do Instituto Passe de Mágica no Ginásio Rômulo Duncan Arantes, no Jardim Portinari, em Diadema (SP). As atividades se transformaram no grande aliado dela para permitir-se sonhar.

“Eu vivia com raiva e chorava de pensar que ninguém me amava, sabe? Isso aqui mudou minha vida. Não sou mais violenta, os professores me ensinaram que não é assim que a gente resolve as coisas. Meu sonho é tirar minha mãe da cadeia. Um dia, vou ser jogadora de basquete e vou conseguir isso”, disse. O fio de esperança na vida da menina surgiu de um convite feito por uma prima. Kemylly ouviu dela que jogar basquete era muito bom e decidiu conhecer o projeto. No primeiro mini torneio que disputou, conquistou uma medalha.

“Ô Kemylly, que medalha é essa aí?” perguntou a avó, com quem vive a menina. “Contei para minha avó que tinha ganhado e pedi para ficar no basquete. Ela deixou e eu fiquei feliz. Depois, eu ganhei um tênis, ganhei mais medalhas e aprendi mais modos. Eu parei de chutar as pessoas”, contou a garota. “Minha vida melhorou, porque eu não sou uma pessoa violenta, os professores me ensinaram que não é assim que a gente resolve as coisas. Quero tirar a minha mãe da cadeia e falar isso. Eu sinto muitas saudades delas”, relatou Kemylly.

No Instituto Passe de Mágica, associação sem fins lucrativos criada em 2004 pela medalhista olímpica e campeã mundial de basquete, Magic Paula, a menina não tem uma atividade preferida: diz que gosta de todas. No coração, ela garante que carrega os conselhos que recebe dos educadores. Kemylly, que está no quinto ano do ensino fundamental, conta com orgulho como resolveu um problema na escola. “Sempre acontecem umas brigas, sabe? Tem uma menina que é a Monique e ela ia me dar um soco na cara. Aí eu parei e falei assim: ‘Não faça isso, Jesus te ama’. E a gente resolveu isso sem brigar”, finalizou.

Aos poucos, Kemylly vai aprendendo os fundamentos do basquete. Com 10 anos, porém, ela já sabe que tem voz (e talento) para escolher o caminho que quer para o resto da vida. Os núcleos do Instituto Passe de Mágica são mantidos com recursos via Lei de Incentivo ao Esporte, na esfera federal, o que possibilita o patrocínio da Caterpillar, Drogasil, Grupo Aliança, IBM, Klabin, Portocred, Sabesp e Via Varejo. O IPM recebe apoio institucional da Nike e Laureus Foundation.

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