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Opinião

Jogo 200 na final?

*Capa: Diego Almeida/Ponte Press

Curiosamente, eu nunca fui ao Moisés Lucarelli. Não tive esse prazer e esse privilégio (ainda). Nem como jornalista e muito menos como torcedor. Por outro lado, no Brinco de Ouro, o imponente estádio bugrino, eu já fui uma porção de vezes. Tenho, confesso, certa simpatia pelo Guarani. Talvez seja pela cor da camisa. Mas a Ponte Preta tem o meu respeito pelos ótimos serviços prestados ao futebol, apesar de não ter conquistado títulos em mais de 120 anos de vida.

São clubes históricos, de tradição, que nasceram quando Campinas ainda rivalizava com a capital em tamanho e em importância no Estado de São Paulo – a Macaca foi fundada em agosto de 1900 e o Bugre é de abril de 1911. São times que mostraram muito para o futebol brasileiro: no Guarani, Julio César, Ricardo Rocha, Djalminha, Zenon, Careca e Jorge Mendonça; na Ponte, Carlos, Dicá, Oscar, Polozzi, André Cruz e Luis Fabiano, só para citar alguns.

E quem tem mais torcida? Não entro nessa bola dividida. Só digo que tenho dois amigos campineiros. Ambos jornalistas. O Renato e o Carlão. O primeiro é bugrino fanático. O segundo é Ponte, “o time do povo”, garante. Então, na minha pesquisa, é 50% para cada lado. Não à toa, é considerado o clássico de maior rivalidade do interior do Brasil. E concordo. É um duelo que para a cidade. Literalmente. E mesmo sem torcida. Como foi o jogo ontem (5), no Moisés Lucarelli, a casa alvinegra. Duelo muito importante para a classificação das duas equipes no Paulistão.

O Bugre precisava da vitória para garantir vaga antecipada ao mata-mata. Já a Macaca necessitava dos três pontos seguir viva na competição. Deu Ponte Preta: 3×1. Para alguém que não torce para nenhuma das duas equipes, ver essa partida foi um bom programa no final da noite. A rivalidade faz o duelo, mesmo sem grandes jogadores, ser um atrativo. Só por isso, vale a pena ver. O time alvinegro foi melhor ao longo dos 90 minutos e mereceu o resultado positivo.

Foi o dérbi de número 199 e, agora, esperamos com ansiedade pelo confronto de número 200. Merece ser um evento! Se seguirem adiante no Paulistão 2021, esse histórico duelo poderá ainda ser realizado neste ano. Já pensou uma final entre os dois gigantes de Campinas? Seria apoteótico! Eu acho pouco provável, mas vai que… O equilíbrio no confronto é impressionante: bem dividido entre empates (65 jogos), vitórias do Guarani (67) e triunfos da Ponte (66). Houve ainda um resultado desconhecido, justamente a primeira partida entre ambos. Como se vê, é mais que um jogo: é uma questão de honra!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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