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Opinião

Já?

Fábio Carille saiu do Corinthians no mês de maio deste ano para dirigir o Al Wehda, da Arábia Saudita. Sete meses depois, está voltando ao Alvinegro. Pode ser bom para o clube e para ele, mas é péssimo para a já arranhada reputação dos profissionais do futebol no exterior. Antes eram somente os jogadores que assinavam por três, quatro, cinco temporadas com times do exterior (notadamente do Oriente Médio) e voltavam depois de um ano (ou menos); agora são os treinadores com as comissões técnicas. Não é bom.

A fama de mau profissional fica, porque, geralmente, os clubes pagam adiantado, acertam uma fortuna de ‘luvas’ para os profissionais da bola e uma porcentagem para os seus representantes, mudam uma rotina e montam uma nova estrutura para receber técnicos e jogadores que não falam a mesma língua que eles, enfim, para ficarem literalmente na mão pouco tempo depois.

O presidente do Al Wehda chegou a pedir para Carille não ir embora. Está satisfeito com ele. Mas o campeão brasileiro de 2017 bateu o pé e disse que não pode dizer ‘não’ ao Corinthians. Deve comandar os dois próximos jogos na Arábia Saudita e voltar para o Brasil no final do mês, quando passará as festas de final de ano para, em janeiro, reassumir o Timão.

Claro que é uma decisão difícil para Carille. Afinal, é o Corinthians, o time no qual foi feliz com dois títulos brasileiros e um paulista. Conhece como poucos a rotina do clube e tem o respeito de todos. Tem moral. No entanto, se tivesse no lugar dele, tentaria cumprir o contrato. Questão de ética e respeito para com uma equipe que investiu uma grana preta para tê-lo.

Ademais, não há a segurança de que terá o mesmo sucesso da primeira passagem pelo Alvinegro. Hoje, o Corinthians está fragilizado, com elenco limitado e sem dinheiro para fazer grandes investimentos. Tudo bem que é um cenário semelhante ao de 2016/17. Mas o raio cairia duas vezes no mesmo lugar? Carille deve ser confirmado ainda nesta semana no Corinthians. É a escolha dele. Deixará um caminhão de dinheiro na Arábia para voltar a São Paulo. Ele está certo? O tempo é o senhor da razão. Mas, moralmente, ele e o futebol brasileiro perderam alguns pontos com os países dos petrodólares.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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