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Opinião

Já deu saudade

*Capa: FIFA/Divulgação

A Copa do Mundo está quase no fim, sobraram somente oito equipes e a sensação de quero mais já me invade. É uma festa que transcende as quatro linhas, que entra no nosso imaginário e faz com que não queiramos o término dessa boa realidade. “Não poderia haver Copa todos os anos?” perguntam os viciados, como eu. O questionamento é válido, sim, senhor! O que será de nós sem esse evento tão sem importância e ao mesmo tempo tão necessário chamado Copa do Mundo? Como viver os próximos quatro anos sem 32 nações correndo atrás de uma bola? Acho que terei de ir ao analista!

Brincadeiras à parte, só quem ama o futebol entende o que estou falando. Não são somente as táticas, as variações de jogo ou a técnica apurada dos jogadores. Um Mundial do maior esporte do planeta nos ensina que os países podem nos mostrar muito mais que uma simples partida de futebol. Explico.

Como entender, por exemplo, um país do tamanho de Piracicaba em população, a Islândia, abocanhar tantos admiradores no Brasil? Talvez seja por que eles jogam com amor, com alegria, com garra e força de vontade. Talvez seja por que não são profissionais da bola e sim engenheiros, dentistas, operários e professores que fazem do futebol sua arte nas horas ociosas. Creio que não é nenhuma das hipóteses acima. Eu acho que é mesmo pela simpatia. Não dá para ficar alheio à comemoração que os islandeses fazem com a torcida. É mágico! Muito legal! Confesso que vi todos os duelos da Islândia só para vê-los comemorando no final com seus compatriotas na arquibancada. Um show à parte.

Como um show também são as histórias que proporcionam a Copa do Mundo. Uma delas foi a comovente felicidade das iranianas torcendo por sua seleção na Rússia. Em seu território, elas não podem entrar nos estádios por conta do regime político e administrativo daquele país asiático, que tem como base alguns princípios da religião islâmica. Como não se alegrar ainda ao ver a trajetória do belga Lukaku. Na infância, era ridicularizado por seus colegas de escola pelo simples fato de ter descendência congolesa. Sua inspiração foi Ronaldo Fenômeno na final da Copa de 2002. E o final dessa história nós já conhecemos. Ele conseguiu chegar aonde queria. Mais longe até.

São fatos que só o futebol proporciona. As torcidas, todas misturadas em um painel multicolorido, servem para mostrar que o mundo tem jeito. Já dentro de campo… bem, dentro de campo foi um mero detalhe! A espetacular vitória da Alemanha sobre a Suécia, o incrível empate da Colômbia nos descontos contra a Inglaterra, o magnífico triunfo da França em cima da Argentina e a sensacional virada belga diante dos japoneses são algumas das muitas emoções proporcionadas.

Os oito finalistas começam, a partir de amanhã (6), a se digladiarem. Uruguai x França; Brasil x Bélgica; Rússia x Croácia; e Inglaterra x Suécia. Para mim, os semifinalistas serão os primeiros listados em cada partida, ou seja, Uruguai, Brasil, Rússia e Inglaterra. Só acho. O que tenho certeza é que a paixão por esse esporte aumentou um pouquinho mais após essa parada na terra de Lenin e Stalin. Venha logo, 2022!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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