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Opinião

Informações sobre a reunião para reabertura de academias em Piracicaba

*Capa: Líder Esportes

Cerca de 50 profissionais ligados a academias e escolinhas de futebol de Piracicaba participaram ontem, segunda-feira (15), de uma reunião no Anfiteatro do Centro Cívico para discutir a possibilidade de reabrir os estabelecimentos que prestam esse tipo de serviço. Pelo decreto do governador do Estado de São Paulo, João Dória (PSDB), eles estão impedidos de funcionar durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Na ocasião, foi apresentado um protocolo elaborado com medidas de segurança para a possível reabertura (clique aqui para acessar o protocolo).

Piracicaba está na fase 2 (laranja), que significa ‘atenção’. Pelo decreto estadual, as academias poderiam funcionar com restrições na fase 4 (verde). O encontro teve as presenças do prefeito Barjas Negri (PSDB), o secretário de Saúde e Esportes, Pedro Mello, o responsável pela Secretaria Municipal do Trabalho e Renda, Evandro Evangelista, e o procurador-geral do município, Sérgio Bissoli, entre outras autoridades. A reunião teve alguns picos de tensão. Após uma série de explicações dos profissionais da educação física sobre o protocolo apresentado, Bissoli tomou a palavra. Foi sucinto.

“Não temos a possibilidade de ir além daquilo que nos permite o decreto do governador. Não temos margem para trabalhar, para afrontar o decreto estadual. Tentamos de tudo“, disse. Depois, o procurador sugeriu: “Judicializem”. Pedro Mello, que precisou deixar o encontro antes do término, adotou um discurso mais ameno. “Nós não temos nenhuma dúvida de que vocês geram saúde. Mas o decreto não é sobre gerar saúde, é sobre não gerar contaminação“, ponderou.

‘Eu não tenho autoridade para fazer um decreto mais maleável do que o governo do Estado’, afirmou Barjas Negri

A reunião esquentou quando uma empresária pediu a palavra e afirmou que teve de demitir funcionários. Também comentou sobre a difícil situação pessoal que atravessa ao longo da pandemia. Sugeriu ainda que o governador Dória “merece o impeachment” e que o presidente Jair Bolsonaro “grita pela reabertura”. Irritada, abandonou a reunião. Na sequência, o empresário Juliano Pitton foi mais enfático. “Alguns profissionais tiveram queda na receita. Nós temos zero, perdemos 100%. A análise que tem que ser feita é que estamos dormindo e acordando sem entrada de dinheiro, mas com as mesmas despesas e obrigações”.

A palavra final foi de Barjas Negri. O prefeito garantiu que já foram realizadas mais de 35 reuniões no Centro Cívico. “As mais difíceis foram com o pessoal do ramo de eventos e agora essa”, afirmou. “O raio de manobra do município não é grande. O Ministério Público está orientado para fiscalizar e perdemos batalhas, recebemos ameaças de multas diárias. O Estado ouviu um comitê de 15 especialistas que estabeleceram as regras e fizeram um mapa colorido com as fases. O fator determinante para mudar de uma faixa para outra é o número de leitos”, disse.

O procurador-geral Sérgio Bissoli, durante a reunião realizada no Centro Cívico (Foto: Leonardo Moniz)

“Nós estamos fazendo um esforço enorme para não voltar à fase 1. Para avançar às fases 3 ou 4, precisamos de mais leitos de UTI e uma taxa de utilização mais baixa. A população também precisa ajudar. Se não colabora, amplia a contaminação comunitária. Estamos chegando a 1.300 casos em Piracicaba. Estamos impossibilitados para reabrir academias e escolinhas de futebol. Eu não tenho autoridade para fazer um decreto mais maleável do que o governo do Estado”, completou.

Barjas vai encaminhar o protocolo apresentado ontem para São Paulo. Deve pressionar pela mudança no decreto estadual, mas a realidade é que a possibilidade de reabertura de academias e escolinhas de futebol, neste momento, é minúscula. A prefeitura trabalha com a expectativa de que Piracicaba avance para a fase 3 (amarela) na próxima semana – o setor de academias e escolinhas, porém, está na fase 4. Após a reunião, o prefeito conversou brevemente sobre os pagamentos para as associações que trabalham com o esporte na cidade, via chamamento público, emperrados desde março. “A decisão está tomada, será feito”, garantiu. Resta saber quando. O entrave é jurídico.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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