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Opinião

Hegemonia verde?

*Capa: Cesar Greco/SE Palmeiras

É como um círculo virtuoso. Quem ganha mais títulos, ganha mais dinheiro, ganha mais visibilidade, ganha mais adeptos, ganha mais estrutura e ganha mais status, atraindo mais jogadores de qualidade. Desculpe-me pela repetição de palavras, mas é assim que essa roda gira. Se for bem administrado, dificilmente esse sucesso se perde pelo caminho. É o chamado bom e velho planejamento, tão falado no meio do esporte. Eu, entretanto, prefiro falar que o sucesso é a bola na rede do adversário. Se os resultados chegam, o planejamento – quase inexiste em se tratando de Brasil – pode até ficar em segundo plano.

Essa atmosfera que foi generosa com o Flamengo em 2019, agora volta-se para o Palmeiras. Assim, a bola da vez é o clube com raízes italianas, mas “que sabe ser brasileiro”. Campeão paulista e sul-americano de 2020, o “Alviverde Imponente” trilha a rota do sucesso capitaneado pelo técnico português Abel Ferreira, que é respaldado por uma estrutura invejável no clube e por um plantel de ótimo nível. Neste domingo (7), o time inicia a trajetória no Mundial de Clubes em busca do terceiro caneco na temporada – isso sem contar a ‘Copa Disney’, torneio amistoso vencido em janeiro de 2020.

E olha que ainda tem mais duas taças garantidas para o Verde tentar buscar antes da atual temporada acabar: a Copa do Brasil contra o Grêmio; e a Recopa Sul-Americana, competição que reúne os vencedores da Libertadores e da Copa Sul-Americana, vencida recentemente pelo Defensa & Justícia, da Argentina. E não terminou: se faturar a Copa do Brasil, também se credencia para a final da Supercopa do Brasil, diante do campeão brasileiro de 2020, que pode ser o Internacional.

Numa temporada insana como essa do Palmeiras, o lado bom é esse: o prestígio, as taças, a grana. A pandemia da Covid-19, que afetou as finanças de praticamente todos os clubes do mundo, não trará tantos estragos para o Palmeiras justamente pela boa temporada dentro das quatro linhas. Nenhum dos cerca de 900 funcionários do clube foi demitido e o elenco de futebol também está com os vencimentos rigorosamente honrados pelo presidente Maurício Galiotte. Há quem diga, até, que o Palmeiras ainda fechará a temporada no azul. Incrível!

No Qatar, que será o mesmo palco da Copa do Mundo do ano que vem, o Verdão quer contrariar a lógica e trazer a taça de melhor time do planeta para o Brasil. Não será fácil, a cotação está 9 por 1 para o Bayern de Munique nas casas de apostas. Mas ainda bem que tem o ‘1’. São nesses 10% que a “Torcida Que Canta e Vibra” se agarra. Antes, porém, nada de euforia antecipada: tem de passar pelas semifinais. Mas, se tudo seguir conforme o roteiro, os dois gigantes se encontrarão na grande final, no dia 11 de fevereiro.

Para o possível confronto contra os bávaros, que sonham com a quarta conquista do Mundial de Clubes, o bicampeão da Libertadores vai como franco-atirador atrás da maior glória em seus 106 anos de vida. Se vencer os alemães, o Palmeiras marcará esse feito na história e selará a hegemonia no cenário nacional e sul-americano nos últimos anos. Não será nada fácil para os brasileiros, mas o verde continua sendo a cor da esperança. Então, não custa sonhar torcedor!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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