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Futebol

Há 50 anos, XV conquistava ‘Taça dos Invictos’

Alvinegro foi tricampeão da Série A2 em 1967, mas o torneio acabou em 68

Helio Sacconi, ex-goleiro do XV de Piracicaba
Helio Sacconi, ex-goleiro do time piracicabano: título trouxe alegria ao povo piracicabano (Foto: Líder Esportes)

Há exatos 50 anos, o XV de Piracicaba conquistava pela terceira vez o título da divisão de acesso. A Série A2 do Campeonato Paulista de 1967 acabou apenas no dia 17 de janeiro de 1968. No Pacaembu, o XV derrotou o Bragantino por 4×3. Meio século depois, o Alvinegro inicia a caminhada rumo ao hexacampeonato: nesta quarta-feira (17), a equipe de Evaristo Piza estreia contra o Rio Claro, às 20h, no estádio Barão da Serra Negra. Remanescente do elenco campeão em 1967, o ex-goleiro Helio Sacconi guarda na memória lembranças de uma campanha que rendeu ao Nhô Quim a Taça dos Invictos daquele ano.

O XV foi o campeão do Grupo B, com 22 vitórias, seis empates e duas derrotas

“Do Paulista tenho muitas lembranças, principalmente dos jogos contra o Paulista de Jundiaí, que eram uma guerra entre as torcidas. Em 1967, a rivalidade estava muito acirrada e foram partidas muito difíceis, não tanto pelo adversário, mas pelas torcidas. Eles atiravam pedras com estilingue em nós. Lembro também das viagens e da final. Ficamos concentrados em Itaquera, onde fica hoje o estádio do Corinthians. Os jogos finais aconteciam no Pacaembu. A decisão foi em um triangular. Vencemos, fomos campeões”, contou Helio.

A competição teve início com 30 equipes divididas em duas séries. A primeira fase, disputada em dois turnos, classificou os dois primeiros colocados de cada chave. O XV foi o campeão do Grupo B, com 22 vitórias, seis empates e duas derrotas, tendo 68 gols marcados e 15 sofridos. Nos confrontos eliminatórios, o Alvinegro eliminou o Votuporanguense ao vencer na ida por 3×1 e empatar sem gols na volta. No quadrangular final, o time do técnico Armando Renganeschi terminou empatado com Paulista e Bragantino. Pelo regulamento da época, haveria necessidade de jogos-extra para definir o acesso.

Os postulantes ao título voltariam a se enfrentar no estádio do Pacaembu. No reencontro, o XV foi perfeito: vitórias por 2×0 sobre a equipe de Jundiaí e 4×3 contra o time de Bragança Paulista. Na decisão contra o Massa Bruta, o Nhô Quim foi a campo com Claudinei; Neves, Piloto, Protti e Zé Carlos; Hidalgo e Eli Cotucha; Amauri, Joaquinzinho, Varner e Piau. Amauri, duas vezes, Joaquinzinho e Piau marcaram para o XV no jogo do título. No total, o esquadrão alvinegro ficou 25 partidas sem derrota e recebeu a taça oferecida pelo jornal A Gazeta Esportiva.

“A equipe começou a jogar e conforme o tempo foi passando, fomos nos entusiasmando para continuar invictos. A festa em Piracicaba foi muito prazerosa quando conquistamos o título. A chegada nossa aqui, desde a entrada da cidade, foi com caravana e fogos. Um fato pitoresco que aconteceu foi com um palanque montado na praça em frente à Catedral, que estava completamente lotada. As pessoas subiram em cima da fonte com bandeiras do XV. Mas o pessoal pulou tanto em cima do palanque que ele desabou (risos)”, recordou o ex-goleiro.

Helio Sacconi posa ao lado da Taça dos Invictos, no estádio Barão da Serra Negra (Foto: Líder Esportes)

Curiosamente, um dos jogos que marcaram a lembrança de Helio Sacconi acabou com placar adversário: a derrota por 2×1 para o Paulista, na primeira fase. “A imprensa pedia para a torcida daqui não ir, pois havia muito perigo. Lembro que paramos no Lago Azul, trocamos de roupa e chegamos ao estádio no camburão da polícia, mas, mesmo assim, eles atiravam pedras contra nós. Entramos correndo no campo. O jogo estava tenso e a torcida ficava balançando o alambrado. O placar era 1×1 e quando saiu um pênalti duvidoso contra o XV, no finalzinho. O Luizinho bateu e eu defendi, mas o juiz, que era o José de Oliveira, mandou voltar. Na segunda cobrança, ele fez 2×1 e o jogo acabou. Ficamos lá dentro até sair todo mundo do estádio e voltamos pegar a nossa roupa do Lago Azul. Isso de camburão”, relembrou.

O ex-goleiro começou a trajetória no clube aos 16 anos, em 1961. Na época, era juvenil, mas foi chamado pelo técnico Remo para ser suplente em uma partida contra o Santos de Pelé e Coutinho. Helio Sacconi permaneceu no XV até março de 1968 e estreou contra o Taubaté no antigo estádio Roberto Gomes Pedrosa. “Jogar lá era muito bom, mas para o adversário era terrível (risos). Na hora do jogo, passava um trem da Sorocabana que vinha de São Pedro. E quando o trem passava, o XV marcava. A torcida já se inflamava e acabava saindo um gol mesmo. Era uma festa só (risos)”, disse. “Para mim, é um prazer enorme ter meu nome na história do XV. Faz 50 anos que parei e ainda hoje encontro com pessoas na rua que lembram de mim. Piracicaba não nos esquece, porque defendemos o XV”, completou.

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