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Opinião

Há 24 anos: que saudade!

*Capa: Arquivo/Magic Paula

Estávamos no ano e no mês de Copa do Mundo. Junho de 1994. O Brasil perdera dias antes Ayrton Senna, morto após acidente no GP de Imola, na Itália, em 1º de maio daquele ano. Por isso, a torcida verde e amarela colocava todas as suas fichas no tetracampeonato mundial, nos EUA, para amenizar a dor vivida pela morte do astro das pistas.

Paralelo a esse clima de ‘pátria de chuteiras’, a seleção feminina de basquete iniciava, quase que imperceptível, em 2 de junho, o Campeonato Mundial da Austrália. Praticamente todos os olhos da imprensa estavam apontados para o evento nos EUA. Não havia TV por assinatura. Somente a Band, na época, cobria o magnífico time comandando por Miguel Ângelo da Luz. Um elenco com Hortência, Paula, Janeth… Resumindo: um timaço.

Pra mim, pouco importava se a Copa do Mundo era nos Estados Unidos. Eu amava (e ainda amo) o basquete e estava mais interessado naqueles primeiros dias de junho com a trajetória das nossas meninas de ouro. Era estudante de jornalismo e fã número ‘zero’ da Paula, assim falava de mim mesmo. Eu era daqueles que guardavam tudo da atleta, que anos antes recebera com toda a justiça o apelido de Magic Paula, por ser tão mágica quanto à lenda do Los Angeles Lakers, Magic Johnson.

Quando a bola laranja começou a quicar na Oceania, perdemos um jogo, para a Eslovênia na primeira fase; e nas oitavas fomos para um forte grupo, com China, Cuba e Espanha. Ficamos em segundo lugar, pois perdemos para as asiáticas. Assim, nas semifinais, teríamos de encarar as norte-americanas. Sem problemas para quem tem Paula e Hortência. Passamos pelos EUA (110×107) e, na final, teríamos novamente a China pela frente. Porém, desta vez, ‘passeamos’ (96×87) e conquistamos a taça.

A final foi em 12 de junho de 1994. Dia Memorável. Dia dos Namorados. E, neste clima, quem dedicou todo o seu amor pelo basquete foram as brasileiras. Foi um vasto repertório! Afinal, quem marcaria as bolas de três pontos da rainha Hortência? Quem anularia as brilhantes assistências de Magic Paula? E quem pararia as infiltrações da novata Janeth? Um time excepcional, que ainda contava com as coadjuvantes Helen Luz, Adriana, Leila Sobral, Roseli, Simone, Ruth, Alessandra, Cintia Tuiú e Dalila.

Na próxima semana, chegaremos ao 24º aniversário dessa conquista história. Poucos se lembrarão, infelizmente. Foi um título magnífico, que marcou a geração Paula-Hortência, ao lado, é claro, do Pan de Havana três anos antes. E a pergunta que fica nestas lembranças é sempre a mesma: O que fizeram do basquete feminino brasileiro? Que essa data sirva de inspiração para iniciarmos esse resgate. Que a mira laser da cestinha Hortência e a elegância e os passes milimétricos da Magic Paula possam nos mostrar um rumo. O vitorioso basquete feminino do Brasil merece mais respeito.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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