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Grande perda

*Capa: AFA/Divulgação

22 de junho de 1986. Argentina e Inglaterra entram em campo no Estádio Asteca, pela Copa do Mundo do México. Rivalidade total. A Guerra das Malvinas ainda pulsava nas mentes dos hermanos e dos europeus. Ninguém queria perder aquele duelo de quartas de final. Seria um confronto equilibrado senão por um detalhe: Diego Armando Maradona. Aquele baixinho do outro mundo marcou os dois gols da vitória da Argentina por 2×1.

El Diez da Alviceleste fez, talvez, sua maior partida daquele Mundial, que, por sinal, ele ganhou sozinho. Marcou, de mão, o primeiro gol da partida, aos 6min do segundo tempo, e o golaço antológico quatro minutos depois, aos 10min. Diego pegou a bola antes do meio de campo e foi costurando toda a defesa inglesa até passar pelo goleiro Peter Shilton. Só não entrou com a bola e tudo por que não quis. Esse gol é considerado pela Fifa o mais bonito da história das Copas.

Lembro-me bem desse jogo. Vi ao vivo pela TV. Tinha acabado de fazer 13 anos e, mesmo criança, já amava o futebol. Fiquei encantado com o camisa 10 dos hermanos. Já o conhecia, claro, da Copa da Espanha, em 1982, em especial depois daquele jogo contra o Brasil, o qual ganhamos por 3×1 no triangular semifinal da competição que seria vencida pela Itália. Mas, em 1982, Maradona ainda não era Maradona. No México, Maradona me conquistou. E conquistou o mundo também.

Desde então, sou fã incondicional do gênio Diego. Para mim, o maior que vi em campo. Não vi Pelé; não vi Garrincha. Mas vi El Pibe de Ouro. Além de encantar alguns brasileiros, como eu, é adorado na Argentina – inclusive por torcedores do River Plate – e não menos amado pelos napolitanos. A região sul é a mais pobre da Itália e muito discriminada pelos moradores da região norte. Maradona levou uma equipe até então de pouca expressão na Itália ao topo com conquistas fantásticas, como a Copa Uefa de 1989 e dois Campeonatos Italianos (1987 e 1990).

Nesta quarta-feira (25), ele se foi. É um vazio imensurável para os argentinos, napolitanos e para a história do futebol mundial. O craque que mais chegou perto de Pelé em genialidade perdeu a luta pela vida. Agora, só resta a história, o legado as lembranças e as homenagens. Horas depois de confirmada a morte, a diretoria do Napoli anunciou que o estádio ‘San Paolo’ se passará a chamar estádio Diego Armando Maradona. Nada mais justo.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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