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Fechado para balanço

*Capa: Agência Corinthians

O corintiano quer esquecer para sempre a temporada 2020, que está vivendo os seus últimos dias em fevereiro de 2021. E não é para menos: uma temporada em que caiu na pré-Libertadores, perdeu o Paulistão para o maior rival, o Palmeiras, e ainda flertou com o rebaixamento em boa parte do Brasileirão tem de acabar mesmo rapidinho, dizem os torcedores alvinegros. A pá de cal veio nesta quarta-feira (17), com a derrota para o Santos, por 1×0, na Vila Belmiro, pela 36ª rodada do Brasileiro. Com mais esse revés, o único momento de alegria que sobraria para a Fiel, uma possível vaga na Libertadores 2021, ficou praticamente no quase também.

Com 49 pontos e na 10ª colocação, o Alvinegro ficou a quatro do próprio Santos (53) na busca pela oitava e última vaga para o torneio sul-americano, faltando apenas seis pontos em disputa. Agora só um milagre: o Timão terá de vencer seus dois últimos jogos, diante de Vasco e Internacional, e ainda torcer por tropeços do Peixe e do Athletico-PR, que tem 50 pontos.

Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: de quem é a culpa por uma temporada tão irregular? Poderia falar aqui da falta de planejamento, a desculpa sempre lembrada em uma hora dessas. Mas esse artifício não cola mais. Depois que o Santos, vice-campeão sul-americano, viveu esse ano – sem poder contratar, sem presidente, com salários atrasados, etc. – não se pode mais falar em mau planejamento.

A verdade, na minha modesta análise, é que os principais jogadores caíram de rendimento ao longo da temporada. Não apresentaram dentro das quatro linhas o que a torcida, a diretoria e a imprensa esperavam. O goleiro Cássio, o lateral Fágner, o zagueiro Gil, o meia Luan e o atacante Jô tiveram um ano abaixo da crítica. Muito instáveis. Logo eles, que teriam de ser o esteio da equipe.

Desses cinco citados acima, pelo menos os dois últimos devem deixar a equipe alvinegra. A diretoria colocou Luan em ‘promoção’ e não vê a hora de chegar um interessado. Quem quiser leva. Os dirigentes já se conformaram que irão ter prejuízo com o ex-craque do Grêmio, eleito o Rei da América em 2017, mas que viu ruir o seu futebol apenas três anos depois. Quanto ao Jô, a Fiel agradece pelos grandes serviços prestados, mas também não dá mais. A idade chegou. Sem mobilidade, sem criatividade e sem o temido faro de gol, que o consagrou como grande centroavante, Jô tem de provar novos ares nesses momentos que antecedem o fim de sua carreira.

Cássio, Fágner e Gil têm potencial para um recomeço. Com Jemerson no miolo da zaga e Fábio Santos completando o experiente setor defensivo, o time ainda pode dar liga atrás. Mas o clube precisa de pelo menos mais um volante, um meia e dois atacantes; todos com status de titulares. Sob a pena de ter que ver novamente a parte decisiva dos campeonatos do sofá. Isso seria inconcebível para um clube do tamanho do Corinthians. Seria um novo vexame, como a temporada que se encerra.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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