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Opinião

Favoritos e eliminados

O futebol prova mais uma vez que o poderio econômico é muito bom, muito bem-vindo e tudo mais. Mas tudo (ainda) se decide dentro das quatro linhas. Palmeiras e Flamengo, que têm elencos milionários, salários em dia e estrutura de Europa à disposição, eram favoritos nas quartas de final Copa do Brasil, mas caíram nesta quarta-feira (17) diante Internacional e Athletico-PR, respectivamente. Ambos nas disputas dos pênaltis.

Não é ‘pecado’ um clube dar as melhores condições para os atletas. Pelo contrário; é dever. Porém, não é garantia de taça conquistada. Tem de colocar a bola na rede, senão todo o investimento será em vão. E aí eu também coloco na conta da diretoria. Mais do que os R$ 650 milhões de faturamento do Verdão em 2018 e os R$ 550 mi do Flamengo no mesmo período, tem de ter competência para montar um elenco à altura do saldo bancário.

Com tanto dinheiro, por que o Palmeiras não consegue contratar um atacante de área que resolva seus problemas? Por que o Flamengo há tempos não acerta a lateral-esquerda? A diretoria ficará sentada à espera da boa vontade do Filipe Luis? São questões como essas que a torcida não entende. Com lucros bancários e prejuízos esportivos, a tão decantada ‘espanholização’ do futebol brasileiro não se efetiva. Real Madrid e Barcelona, além de muito dinheiro, também monopolizam dentro de campo. O que não está acontecendo (pelo menos por enquanto) com alviverdes e rubro-negros.

Sobre o jogo no Beira-Rio, o Palmeiras não justificou a fama de supertime e a condição de favorito. Com o placar de 1×0 do primeiro duelo, no Allianz Parque, o Alviverde simplesmente renunciou o ataque. Assim, a vitória do Colorado por 1×0 no tempo normal foi mais do que justa. Na disputa por pênaltis, o time da casa se classificou após erros de Gustavo Gómez e Moisés. A verdade é que o Palmeiras foi covarde. Dudu, a estrela do time, foi muito mal, assim como todo o ataque. Aliás, eu não sei o porquê de o técnico Luiz Felipe Scolari ainda insistir em Deyverson. Fraco!

Mas não foi o único problema: o meio-campo pecou pela falta de criatividade e o setor defensivo, o ponto alto da equipe, bateu cabeça em vários lances. A Copa América não fez bem a Gómez. Já o Flamengo, jogando em casa, no Maracanã, com 69 mil torcedores, diante do Athletico-PR, precisava apenas de uma vitória simples. Acredito que pensou que poderia ganhar a qualquer momento; que poderia repetir o placar de 6×1 da partida contra o Goiás. Saiu na frente, teve a chance de ‘matar’ a partida no tempo normal, mas não o fez e levou o empate. Na disputa dos pênaltis, viu o ‘Santo Santos’ garantir a vaga para os visitantes.

Agora, colorados e parananenses vão disputar, em agosto, uma vaga na final da competição diante de Cruzeiro e Grêmio. Ou seja, poderemos ter um Grenal na grande decisão da Copa do Brasil. Para Palmeiras e Flamengo ainda restam Libertadores e Brasileirão. Então, ainda há possibilidades de títulos para os primos ricos do futebol brasileiro. E esse é o desejo que vem da arquibancada: que o saldo seja positivo também dentro de campo. Porque, o que as torcidas querem mesmo é comemorar títulos, taças e volta olímpica – e não superávit financeiro. Isso não tem preço!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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