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Ex-time grande. Existe?

A polêmica eu vi no programa Fox Sports Rádio, do canal Fox Sports, nesta semana, devido à fase instável do São Paulo nos últimos anos. O Tricolor não ganha nada importante desde 2008 (venceu a Sul-Americana de 2012, mas a competição não tinha a importância que tem hoje) e neste ano luta contra o descenso no Campeonato Brasileiro. A discussão me fez lembrar do que um senhor, vizinho meu, me contava quando era criança e morava em São Paulo. O seu Teixeira, já idoso na época (nos anos 1980), com seus mais de 70 anos, corintiano fanático, contava-me que, nas décadas de 1950 e 60, o São Paulo tinha uma torcida muito pequena, tão minúscula que rivalizava em tamanho com a Portuguesa.

Dizia ele que clássico mesmo era ‘Corintia e Parmera’ e desdenhava da então pequenez do Tricolor. Algumas décadas e centenas de títulos depois, o Time da Fé teria se apequenado novamente? Não. Mesmo com todas as dificuldades, o São Paulo é ainda mais forte que os quatro grandes times do Rio de Janeiro, por exemplo, que ainda não têm um Centro de Treinamento decente.

No entanto, poderia citar inúmeros ‘ex-times grandes’, que já brilharam em nosso futebol e hoje estão no ostracismo. Nos primeiros anos do século passado, os que reinavam no esporte eram Ipiranga, Germânia e Paulistano, os três da capital. Hoje, o primeiro é um clube social do bairro do mesmo nome na Zona Sul da cidade, e o segundo virou Pinheiros durante a Segunda Guerra. Já o Paulistano se dedica atualmente aos esportes olímpicos, com destaque para o basquete.

Dos ‘ex-grandes’ que ainda estão no futebol profissional, destacam-se a Portuguesa, o América-RJ e o América-MG. A Lusa foi a base da seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1954, com cinco atletas. O América-RJ sempre foi o ‘quinto grande do Rio de Janeiro’. Foi considerado clássico quando jogava contra Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, até meados dos anos 1990, quando começou sua decadência definitiva.

Já o América-MG talvez tenha sido, dos três, o que teve a maior queda ao longo do tempo. Era considerado a segunda força de Minas Gerais até os anos 1960, quando fazia o ‘clássico das multidões’ com o Atlético-MG. O nome do duelo hoje chega a ser uma ironia, pois dizem que o Coelho não teria nem míseros 200 mil torcedores em toda Minas Gerais. Muito pouco para um clube que chegou a ser decacampeão mineiro, entre 1916 e 1925. O Cruzeiro começou a crescer somente a partir do final dos anos 1960.

Isso mostra que os grandes clubes de hoje não podem vacilar. Apesar de populares, podem sumir com o tempo. O São Paulo não corre risco. Nenhum. Mas, Fluminense, Vasco e Botafogo… Brincadeira. Particularmente, acho muito difícil uma potência do futebol brasileiro fechar as portas atualmente. Mesmo considerando a grande dívida que todos, sem exceção, têm, os tempos são outros.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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