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Basquete

Evolução: trio destaca papel transformador de projeto

Ana Carolina, Jonata e Jonathan cresceram e escreveram juntos a história no IPM

Jonata Lima, Jonathan Ferraz e Ana Carolina Urizzi: desenvolvimento humano (Foto: IPM/Divulgação)

Ana Carolina, Jonata e Jonathan têm 19 anos e cresceram juntos em Piracicaba (SP). O trio se conheceu na Escola Municipal Prof.ª Maria de Lourdes Fuzetti Lorenzi, a creche Petrópolis. Mais tarde, estudariam juntos na Escola Estadual Prof.ª Mirandolina de Almeida Canto e também Escola Estadual João Guidotti. A relação entre eles, porém, foi estreitada em uma quadra poliesportiva instalada no Tiro de Guerra, onde fica um dos dois núcleos mantidos pelo Instituto Passe de Mágica na cidade do interior paulista.

Reunidos no Tiro de Guerra nesta quinta-feira (13), eles precisaram de apenas três minutos para chegar ao consenso sobre a palavra que melhor define o legado deixado em suas vidas pelo IPM, associação sem fins lucrativos criada em 2004 pela medalhista olímpica e campeã mundial de basquete, Magic Paula: evolução. Com duas passagens pelo projeto, a primeira quando estava na primeira série do ensino fundamental e a segunda cinco anos depois, Jonathan Ferraz tinha vários problemas relacionados à indisciplina na escola. Ele conta que não sabia lidar com hierarquia e tampouco levava desaforo para casa.

‘A transformação foi tão clara que comecei a falar em fazer faculdade, coisa que eu não dizia antes’, contou Jonathan

“Tive 32 ocorrências em uma semana (risos). Aos poucos, fui trabalhando isso no projeto e acabei mudando. O reflexo aconteceu nas minhas notas também, que melhoraram muito. O IPM é muito mais do que basquete. Para mim, serviu de didática, comecei a me apaixonar pelo esporte e pela saúde. Isso me ajudou a não ter vícios da adolescência. Não bebo, por exemplo. A transformação foi tão clara que comecei a falar em fazer faculdade, coisa que eu não dizia antes. Em 2018, tentei, mas não consegui ingressar, porém, eu não desisti”, relatou o jovem, que colheria os frutos do esforço no ano seguinte.

“No ano passado, continuei estudando e passei no vestibular em ciências do esporte, fisioterapia e nutrição, coisa que muitos professores falaram que eu não conseguiria, por causa de minha indisciplina. O projeto me ensinou a lidar com a vida de forma correta e por isso sou muito, muito grato. Em 2020, começo a fazer ciências do esporte na Unicamp”, disse, orgulhoso. No campus Limeira da Universidade Estadual de Campinas, o calouro Jonathan reencontrará Ana Carolina Urizzi, que caminha para o terceiro semestre do mesmo curso. Assim como o ‘bixo’, ela valoriza a evolução humana que teve no Instituto Passe de Mágica.

Ana, Jonata e Jonathan escreveram histórias juntos no Instituto Passe de Mágica (Foto: IPM/Divulgação)

“Eu era ‘bocuda’, respondia bastante, principalmente em casa. Na escola, eu era dispersa. No IPM, não tive uma mudança radical: foi algo gradativo, mas super importante para o meu crescimento pessoal. Em 2015, consegui passar em um teste para jogar no XV de Piracicaba e isso foi um sinal para mim, percebi que eu tinha condições de ser disciplinada e assumir responsabilidades. Estava começando a agir com alguma autonomia e, ao mesmo tempo, começava a entender o próximo também. Isso me fez evoluir tanto no basquete, no meu jogo, quanto no aspecto humano. Em casa, a relação melhorou muito. Sou muito próxima da minha mãe”, destacou.

Ana Carolina ingressou na Unicamp com a convicção de que escolheu bem a carreira profissional, algo que ela também atribui às aulas no Tiro de Guerra. “Foram passos fundamentais para a minha evolução e para encontrar o que eu queria fazer. Foi uma conquista”, disse a estudante, que joga pela equipe de basquete da AAASE (Associação Atlética e Acadêmica de Saúde e Esporte) e representa a Unicamp Limeira. A história é parecida com a de Jonata Lima, jogador da Ablujhe (Associação de Basquete de Luzerna, Joaçaba e Herval D’Oeste), clube da cidade catarinense de Joaçaba. No Sul, ele também cursa a faculdade de educação física na Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina).

CUIDADOS

Menos ‘agitado’ que os dois amigos, Jonata encontrou no projeto um cuidado especial. “O IPM não mudou tanto a minha personalidade em relação ao comportamento, pois sempre fui tranquilo. Mas, as aulas me ajudaram a suprir as ausências familiares. Nessa fase, tinha 12 anos e os meus pais estavam se separando. No basquete, eu encontrava os meus amigos, enquanto em casa ficava mais sozinho. Para uma criança, é muito importante ter uma companhia. Com o tempo, entendi a separação dos meus pais. Atualmente, me dou muito bem com os dois e, inclusive, eles se dão bem, são amigos. O Instituto Passe de Mágica ajudou demais a suprir essa ausência”, afirmou Jonata, que também é técnico da Ablujhe-SC nas divisões de base.

“Aprendi demais com os educadores do IPM: começou com a Paulinha, o Fábio, depois veio a Kelly, a Paty, e mais tarde chegaram o Richard e a Elaine. O projeto me ajudou a manter o foco no que eu queria, me fez despertar a paixão pelo basquete. Foi assim que consegui uma bolsa de estudos e me tornar um atleta. A vivência no Tiro de Guerra é algo que eu uso quando estou treinando as crianças lá em Santa Catarina. Eu entendo as dificuldades que elas têm, pois eu tinha também. É mais fácil lidar com uma situação quando você já sentiu na pele”, completou Jonata.

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