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Muay Thai

Esporte ajuda fisioterapeuta a superar câncer

Ana Carolina descobriu a doença e começou a treinar: atitude mudou sua vida

Ana Carolina e o filho Allan são praticantes de muay thai na Inside Lukas Bueno
Ana Carolina e o filho Allan são praticantes de muay thai na Inside Lukas Bueno (Foto: Líder Esportes)

Na vida de Ana Carolina Paes Alleoni, fisioterapeuta de 37 anos, nunca faltou atividade física. Da caminhada ao vôlei, passando pela musculação e a natação, ela sempre procurou fazer algum exercício. Em outubro de 2016, porém, ela percebeu um sangramento. O histórico familiar a levou ao médico e a consulta foi agendada para dezembro. O primeiro exame apontava para uma fissura anal, resultado que não a deixou satisfeita. “Contei que tinha um tio, um avô e uma avó que morreram com câncer de intestino. Eu queria um exame para ver se não havia realmente nada mais sério. Então, o médico pediu a colonoscopia”, contou.

‘O mundo caiu na minha cabeça naquele momento. Eu sou nova, nunca bebi ou fumei’

Ana Carolina realizou o exame e, no dia seguinte, recebeu uma ligação: o médico queria vê-la no Hospital Independência. Ao chegar, soube que três pólipos haviam sido identificados, sendo que um deles apresentava aspecto duvidoso. “Retirei os pólipos, foi feita a biópsia e descobri que um deles era maligno. Câncer. Foi um baque. Sou casada, tenho um filho de 11 anos, mas fui ao hospital sozinha. O mundo caiu na minha cabeça naquele momento. Eu sou nova, nunca bebi ou fumei, e não como carne vermelha. Não havia fator de risco”, disse.

O sangramento, sinal que gerou desconfiança lá atrás, não era do pólipo, mas da fissura. O câncer colorretal, quando apresenta sintomas, está em estágio avançado. A descoberta ao acaso indicava que havia riscos de uma metástase. “Comecei a fazer vários exames, mas nenhum resultado preocupante foi identificado. Eu pensei em guardar o segredo, mas não tinha como: caiu o cabelo, passei mal, não dava para esconder. Fiz uma reunião com a família para contar. Decidi lutar”.

ESPORTE

Em janeiro último, a fisioterapeuta deu início aos sete ciclos de quimioterapia, o que ocupa 21 dias por mês. A primeira sessão foi menos ‘complicada’ do que ela imaginava. O que a prejudicava eram as dores no corpo, definidas por Ana Carolina como ‘terríveis’. “Falei com o médico e ele recomendou alguns remédios, mas eu não queria me entupir de remédio. Então, ele disse para eu procurar uma atividade física, sempre respeitando meu limite. O Lukas (Bueno, treinador) é meu ex-cunhado e disse para eu fazer muay thai, praticar em meu ritmo. E aí comecei, tomei gosto e fiz inclusive uma graduação, vou fazer a segunda em dezembro”, disse.

‘O diagnóstico mudou minha vida e o esporte também. Dou valor a coisas que antes eu não dava’

As dores terríveis logo diminuíram. Ana Carolina encerrou os ciclos de quimioterapia em junho e fez os exames em agosto, quando foi encontrado um nódulo benigno no fígado. Hoje, a fisioterapeuta faz imunoterapia. Os efeitos são bem mais leves. A série acaba em novembro e, então, serão realizados novos testes. “O esporte me ajudou demais, motiva. O pessoal da academia sabe do meu problema e abraçou a causa. Eu cheguei a fazer quimioterapia e, no dia seguinte, vinha treinar. Eu passava mal, vomitava e voltava a treinar. O diagnóstico mudou minha vida e o esporte também. Dou valor a coisas que antes eu não dava”, contou Ana Carolina.

Ela gostou tanto da arte marcial tailandesa que levou o filho, Allan, para treinar. A rotina é normal: a fisioterapeuta trabalha diariamente, treina três dias por semana e cuida da rotina de casa. Graças, em boa parte, ao esporte. “Agora, que eu quase venci, me sinto uma vitoriosa, uma pessoa muito mais forte. Treinar mudou tudo para mim. Eu vivo cada dia como se fosse o último da minha vida. Os médicos dizem que o tratamento é 50%, mas a cabeça também é 50%. O muay thai e a convivência com o esporte foi fundamental para eu encontrar forças”, completou.

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