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Opinião

Em 2020, não há bicho-papão na Série A2

*Capa: Michel Lambstein

Após uma ‘turbulência’ no início da temporada 2020, o XV de Piracicaba chega à 12ª rodada do Campeonato Paulista da Série A2 com chances de assumir a liderança da competição. Os inúmeros desfalques por lesões poderiam ter levado o clube a brigar na parte de baixo da tabela. Ao contrário, o Nhô Quim conseguiu superar as adversidades, se reinventou e conquistou resultados importantes. Diferente de 2019, onde o ponto forte da equipe era o ataque, a versão mais nova do Alvinegro tem se destacado pela defesa.

Nos últimos oito jogos pela competição estadual, o time piracicabano sofreu apenas dois gols. Já são três partidas consecutivas sem ser vazado. Números que deixam o clube com a segunda melhor defesa da Série A2, atrás apenas de São Bernardo, com seis gols sofridos. Vivendo bom momento, o goleiro Mota e o zagueiro Paulão contribuíram demais para essa consistência defensiva. Entre o Estadual e a Copa do Brasil, onde o XV foi eliminado, deixando de arrecadar mais R$ 1,5 milhão que ajudariam o clube a investir em estrutura, já são dez jogos de invencibilidade.

Superado o período em que correu risco de demissão, o técnico Tarcísio Pugliese está a um jogo de igualar sua melhor marca a frente do clube. Em 2019, foram 11 partidas invicto. Curiosamente, nas duas marcas atingidas, o Alvinegro sofreu duas eliminações nos pênaltis, para Inter de Limeira (Série A2) e para o Juventude-RS (Copa do Brasil). A invencibilidade dá moral ao elenco, deixa o torcedor mais empolgado, o adversário mais temeroso. Ela deve ser valorizada.

Tanto é que, nos últimos dez anos, nenhum treinador que passou pelo XV superou Moisés Egert, que conseguiu em 2011 manter o Alvinegro sem perder por 14 jogos oficiais (um pela Copa Paulista 2010, dois amistosos contra Jeonbuk Hyundai e Palmeiras, e 11 confrontos pela Série A2). Em 58 jogos no comando do Nhô Quim, Pugliese somou 100 dos 174 pontos que disputou, totalizando um aproveitamento de 57,47%. Os números são bons, porém, se não obtiver conquistas, ficarão apenas como estatísticas. O XV precisa retornar à elite estadual.

Com jogos apenas nos dias 14 e 20 de março, contra Taubaté e Votuporanguense, o Alvinegro ganha praticamente duas semanas para recuperar os atletas desgastados e também os que estão no departamento médico. Além disso, o treinador quinzista terá tempo para trabalhar melhor o time, aprimorar o sistema ofensivo, que evoluiu contra a Portuguesa Santista, mas ainda precisa melhorar mais, visando a briga pelo acesso. A diretoria já se posicionou quanto a busca de um ou dois reforços. Creio que ao menos mais um atacante de beirada deve chegar.

Diferente do ano passado, quando o Água Santa era o time a ser batido, até o momento o Campeonato Paulista da Série A2 de 2020 não mostrou nenhum ‘bicho-papão’. Com 11 rodadas disputadas, já é possível ter uma noção das equipes que brigarão por acesso e rebaixamento, mas não é possível destacar um único favorito. Após todas as dificuldades enfrentadas no início, o que podemos hoje afirmar sobre o XV é que ele brigará pelo acesso e estará com o elenco mais encorpado e preparado para o mata-mata.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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