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Opinião

Ele tem um plano

Poucas vezes em minha vida de amante dos esportes coletivos, sejam eles futebol, basquete ou vôlei, eu vi um técnico tão competente como esse português Abel Ferreira, do Palmeiras. Ele é diferenciado! E olha que houve ótimos ao longo dos tempos, como Telê Santana, Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo, Maria Helena Cardoso (basquete) e Bernardinho (vôlei). Mas Abel é diferente. No mínimo, igual aos melhores. Inteligente, metódico ao extremo, estudioso. Um fanático por futebol e por tática, que faz questão de estudar todos os seus adversários para, com isso, fazer um plano para derrotá-lo. Sem dó.

O torcedor palmeirense, outrora ressabiado com ele, hoje ama o portuga. Fica desesperado a cada boato de que um clube da Europa ou do Oriente Médio vai levá-lo embora. Para muitos, já é o maior comandante da história do Verdão, ao lado (ou muitas vezes acima) do Felipão. E, além da tática, é um gestor de grupo como poucos. Sabe ganhar o vestiário. Logicamente, pela sua competência, mas também por sua lábia. Aprecia a psicologia esportiva. E dá certo. Os caras respeitam o professor. Ficam com os olhos brilhando a cada palavra de Abel Ferreira.

Foi assim durante o intervalo que antecedeu a prorrogação na final da Libertadores. Enquanto as TVs mostravam um Renato Gaúcho falando com o grupo enquanto praticamente todos estavam alheios às orientações, do outro lado, Abel falava e o grupo ouvia de olhos arregalados para as palavras do chefe.

Contra o Chelsea, Abel também tem um plano. Não tenho dúvidas disso. Já estudou minunciosamente o campeão europeu e vai para cima, tentando jogar diante de um time muito forte, mas que, por outro lado, não tem a camisa de um Real Madrid, um Barcelona ou uma Juventus. Isso pesa também nessas horas.

Vamos esperar o sábado (12) chegar para ver no que dá. Acho que o Palmeiras tem chance. Ainda mais depois das semifinais, onde o time inglês me pareceu cansado, principalmente na etapa final. É algo a ser explorado pelo Abel. Afinal, o plano dele, ao chegar à sétima final pelo clube em apenas um ano e dois meses de trabalho, parece ser certeiro.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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