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É Choque-Rei! É decisão!

O clássico dos paulistas é, sem dúvida, o dérbi. Mas o Choque-Rei sempre foi considerado o duelo mais tenso, o mais brigado, o mais pilhado. Tudo devido à história (ou lenda) de que o São Paulo teria trabalhado para ficar com o patrimônio do Palmeiras durante a Segunda Guerra Mundial, no início dos anos de 1940. Como a Itália fazia parte do eixo de inimigos do Brasil na guerra, ao lado de Alemanha e Japão, o governo de nosso país exigiu que o então Palestra Itália mudasse de nome, com a ameaça de perder seus bens e ser dissolvido.

Para não sofrer sanções, o Palestra virou Palmeiras em 1942 e preservou seu vasto patrimônio já naquela época. Para completar o final feliz, o Alviverde ainda levantou o caneco do Paulistão daquele ano contra o Tricolor, no primeiro jogo com o novo nome. Logicamente, os são-paulinos negam veementemente essa versão de que ganharia na ‘mão grande’ o patrimônio verde. Tudo isso nunca foi provado – nem para um lado nem para o outro – porém, serviu para jogar álcool na fogueira do Choque-Rei.

Se os tricolores chamam de mau-caratismo o fato de os palmeirenses, supostamente, inventarem essa história, pelos lados dos alviverdes, sobretudo os mais antigos, o time das três cores é inimigo mortal, ao contrário do Corinthians, que é o grande rival. Essa pitada histórica dá o tom do que sempre foi esse duelo. Cheio de nuances, que fazem de um simples jogo uma verdadeira guerra. Que a final desta quinta-feira (20), a primeira do Paulistão 2021, às 22h, no Allianz Parque, seja uma guerra, então. No bom sentido. No sentido figurado!

O Palmeiras, morto na competição até ser ressuscitado pelo Corinthians, tem o entrosamento como o seu ponto forte. O fortíssimo sistema defensivo de Abel Ferreira, ao melhor estilo José Mourinho, seu grande mestre, é a novidade do Verdão 2021. O ferrolho com três zagueiros faz o time muito forte pelas laterais, principalmente com Vitor Luiz e sua saída rápida pela esquerda. É uma equipe que não ‘atua com a bola’ e sim na transição rápida com Rony e Luiz Adriano.

Já o São Paulo mudou um pouco seu estilo com Hernán Crespo. Não valoriza tanto a bola como nos tempos de Fernando Diniz, ficou mais vertical, e faz muito bem a pressão na saída de bola do adversário quando perde a bola. Além disso, conta com um maestro: o meia Benitez. Como joga bola esse argentino do Independiente! Sim, o gringo bom de bola, ex-Vasco, está emprestado ao Tricolor até o final do ano, com opção de compra por cerca de 15 milhões de reais. Mas, desde já afirmo: vale o investimento diretoria são-paulina! Sou fã do argentino.

Voltando ao clássico: quem tem mais condições de levantar o caneco? Difícil prognóstico. De verdade. O São Paulo vem apresentando um futebol mais vistoso, mas não se pode desprezar o futebol pragmático e eficiente do Palmeiras. O mais importante é que chegam as duas melhores equipes. Para o Alviverde vale o bicampeonato e o 24º de sua galeria. E, para o Tricolor, seria a 22ª conquista e o fim de uma incômoda fila que nesta temporada chega a nove anos – o último caneco, o da Copa Sul-Americana, foi em 2012. Ou seja, ingredientes não faltam! E que vença o melhor!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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