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Doce sonho: jovem skatista vende brigadeiros para competir

Natural de Piracicaba, Lucas Oliveira aprendeu a andar de skate sozinho

Lucas Oliveira, atleta piracicabano de skate
Lucas Oliveira começou andando nas ruas de Piracicaba e ganhou o mundo do skate em cima de quatro rodas

Na época que tinha apenas 7 anos, observando os outros meninos em cima de um skate, o piracicabano Lucas Pinheiro de Oliveira começou a se interessar pelo esporte. Foi em uma quadra acanhada no bairro Pauliceia, que hoje faz parte da Casa do Hip Hop, que o garoto, hoje com 15 anos, teve o seu primeiro contato com o instrumento que mais tarde lhe renderia alguns títulos fora do país.

Sem um ‘professor’ para ensiná-lo, Lucas usou a arte de observar para aprender. Com o auxílio de vídeos que assistiu no YouTube, o jovem conseguiu rapidamente realizar as primeiras manobras. Na rua ou em qualquer pista de skate de Piracicaba, para ele não há lugar em que não seja possível andar e praticar a modalidade. No momento, entretanto, o que impede de dar saltos mais altos é a falta de apoio financeiro.

Lucas Oliveira, atleta piracicabano de skate

Lucas Oliveira espera que mais pessoas olhem agora para o skate após o esporte se tornar olímpico

“Agora que o skate se tornou um esporte olímpico, espero que as coisas melhorem. Tem muita gente boa em diversos esportes, mas falta patrocínio. Aqui no Brasil, a maioria das pessoas só olha para o futebol”, afirmou. Lucas tem o gasto mensal de um tênis e um shape, além dos custos para participar das competições, quando é possível. “Se eu tivesse o Bolsa Atleta, um valor de R$ 700 por mês, me ajudaria nas contas e eu poderia participar de mais campeonatos”, contou o skatista.

BRIGADEIROS

Em 2018, com o objetivo de disputar o Grind for Life, em Los Angeles, e o Valentine’s Day Massacre Coverage, em Tampa, ambos nos Estados Unidos, Lucas passou a vender caixas com oito brigadeiros a R$ 10, preparados pela sua mãe, Ketly Cristina Góes. As vendas aconteciam pelas ruas da cidade, sempre com o objetivo de custear as suas viagens. Na primeira competição, o piracicabano conquistou o quarto lugar; na segunda, porém, o jovem subiu ao lugar mais alto do pódio no exterior.

“Levantamos o dinheiro vendendo doces, fazendo rifas, a minha mãe (avó de Lucas) vendeu pizzas, e mesmo assim parcelamos tudo. A última viagem nós ainda estamos pagando. Eu enxergo toda essa luta dele como algo desafiador, conciliando escola, treinos e as vendas”, disse Ketly.  Em 2019, o principal objetivo de Lucas é disputar o Far’N High International Skatebord Open, que vai acontecer em maio, em Paris, na França. Para a viagem, o garoto precisa de cerca de R$ 10 mil.

*Fotos e texto: Caroline Castilho

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