fbpx
Opinião

Do pessimismo ao otimismo

Embora não tenha chutado tanto em gol, a forma que o XV de Piracicaba se comportou em campo contra a Ferroviária me animou. As mudanças na equipe surtiram efeito. A proposta de jogo adotada contra uma equipe que vinha embalada e estava com 100% de aproveitamento, deu resultado. E isso só ocorreu porque os jogadores compraram a ideia apresentada pelo treinador. Popularmente falando, o Alvinegro jogou por uma bola e foi eficiente quando a chance apareceu.

O comprometimento defensivo ficou nítido no jogo. Tanto é que o torcedor que esteve presente em Araraquara enalteceu o espírito guerreiro do time. A vitória foi sobre uma equipe que está bem arrumada, entrosada, e que se preparou para brigar pelo título da competição. A Ferroviária vendeu caro a derrota. Pressão, duas bolas na trave e bom volume de jogo. O XV soube se defender. É claro que erros apareceram, não dá para ser perfeito, mas acredito que a falta de entrosamento ainda tem pesado.

O XV ainda está longe do ideal, mas a raça demonstrada no segundo tempo da partida contra o Velo Clube, em busca da virada, e durante toda partida contra a Ferroviária, nos mostra que é possível sim, com pouco investimento, montar um time competitivo. Só espero que dessa vez ninguém se iluda ao término da competição, quando começarem a montar o elenco da Série A2.

Como o planejamento era não disputar a Copa Paulista, o XV está se reinventando com a competição em andamento. Ponto positivo para a chegada de André Cunha. É experiente, ídolo, atleta profissional e não boleiro. Não é o tipo de jogador que vem para o clube para enganar, pegar o seu e que se dane o resto. Não é mais um garoto, então fisicamente não pode ser cobrado como tal. Hoje sua função é diferente. É ele quem dita o ritmo do jogo e orienta durante toda a partida. Até o momento, tem feito isso muito bem, inclusive nos treinamentos.

O clube também acertou em inscrever o lateral-esquerdo Samuel. Mesmo sem ter renovado seu contrato, que vai até o fim de setembro, o jogador tem condições de atuar em toda a primeira fase. Se o clube conseguir avançar, pode fazer quatro substituições e, na hipótese de não haver renovação, o Alvinegro não queimaria uma inscrição.

Se nas primeiras partidas, não senti segurança no técnico Evaristo Piza, gostei do que vi nos últimos dois jogos, com a relação a mudanças na equipe e questões táticas. Também tenho acompanhado alguns treinamentos e percebi, em especial no coletivo desta quarta-feira (2), que sua postura mudou e tem cobrado mais os atletas. Lógico que se os resultados não aparecerem, tudo isso é jogado fora. A cultura do nosso futebol é muito simples: queremos um treinador que ganhe jogos, não o que dê o melhor treinamento.

Do pessimismo ao otimismo. Duas vitórias seguidas mudam muita coisa no futebol. É claro que para se pensar em título, ainda há muito que melhorar.

Marcelo Sá é radialista e jornalista na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

Voltar