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Opinião

Detalhes

No alto nível, qualquer esporte é detalhista. Em 2002, Felipão não levou Romário ao Mundial contra o clamor público. Bancou Ronaldo. Por convicção. Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica. Venceu com boa contribuição da arbitragem. Depois, Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo levaram a seleção brasileira ao pentacampeonato. O gol de Wilmots, mal anulado, evitou críticas a Felipão pela teimosia de não chamar Romário ou ainda pela insistência em Ronaldo, que havia acabado de recuperar-se de uma cirurgia no joelhoO Brasil venceu a Copa e Scolari foi elevado ao olimpo, pedestal do qual caiu apenas em 2014, após o 7×1, resultado sem qualquer justificativa.

Na Rússia, o Brasil jogou conforme Tite planejou: com equilíbrio e organização. Foi sólido, não brilhante, como as equipes que ele treinou. Mas, por incrível que pareça, o jogo é jogado por gente que pode errar. Fascinante, não? É inegável que alguns jogadores não renderam o que deles se esperava, mas há tantos exageros nas simulações de Neymar quanto nas críticas fora de tom que enxergam como fracasso uma derrota comum. Não se engane: a Bélgica, na proposta que apresentou, venceu porque foi melhor (e mais eficiente) que o Brasil. Ponto. A análise deve ser pautada pelo equilíbrio, sempre. Sobram exemplos de seleções que evoluíram assim.

O pensador raso não faz ideia de como é complicado vencer, e vence apenas um, o que não significa que apenas um trabalho é bom. O medíocre minimiza a existência alheia e cobra na mesma proporção da própria falta de conhecimento. Tem imensa dificuldade para lidar com a derrota. O medíocre não gosta exatamente do futebol; gosta de vencer. E quando não vence, atira contra os próprios soldados, sem saber exatamente o porquê.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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