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Opinião

Como estão as finanças do XV de Piracicaba?

*Capa: Arquivo/Mauricio Bento/Líder Esportes

Há anos, ouvimos o famoso discurso de que falta dinheiro ao XV de Piracicaba. Antes de tirarmos nossas conclusões, é preciso saber realmente, em valores aproximados, a relação entre receitas e despesas do clube. O gasto no primeiro semestre é sempre maior, graças à disputa do Campeonato Paulista. Mesmo com a cota de TV repassada pela Federação Paulista (R$ 695 mil, valor bruto), mais as receitas mensais do clube (patrocinadores, plano de sócios e Semae), aliadas à bilheterias e premiações, o Nhô Quim terminou a competição com um déficit financeiro de R$ 800 mil. Por isso, a maior parte do elenco e alguns integrantes da comissão técnica deixaram o XV, com a necessidade de equilibrar os gastos para o segundo semestre. Desde 2013, os salários não atrasam. É claro que isso é uma obrigação, mas algo que poucos clubes seguem à risca.

No final de 2017, através da Associação Amigos do XV, o Alvinegro conseguiu a aprovação de dois projetos (possibilidade total de captar R$ 1 milhão) via Lei de Incentivo ao Esporte (Lei 11.438/2006), que permite que empresas e pessoas físicas invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte. As empresas podem investir 1%; as pessoas físicas, 6%. Praticamente metade desse valor já foi gasto, com a aquisição de materiais esportivos para as categorias de base e pagamento de alguns funcionários que recebem pelo projeto. É importante ressaltar que esse dinheiro não pode ser gasto de forma diferente à qual foi apresentada no projeto, que tem validade de um ano. No montante, é contabilizado inclusive os encargos trabalhistas, férias e rescisões.

O gasto mensal para tocar as categorias de base é de R$ 60 mil. O projeto cobre R$ 10,4 mil mensais, o restante sai dos cofres do clube. O Alvinegro ainda tem gastos mensais de R$ 12 mil com a manutenção do gramado, R$ 15 mil com refeitório, R$ 30 mil com funcionários que não atenderam os requisitos dos projetos, R$ 25 mil com pagamentos de processos trabalhistas e R$ 25 mil com pagamentos de parcelas do Profut (programa de refinanciamento de dívidas dos clubes).

O XV de Piracicaba arrecada R$ 140 mil mensais com patrocínios, R$ 10 mil com marketing (mais R$ 20 mil são obtidos como permutas, que diminuem os gastos do clube), R$ 12 mil com o Semae, R$ 20 mil com o plano de sócios. Pois bem, passado o Campeonato Paulista, o XV tem uma arrecadação mensal de R$ 182 mil e um gasto de R$ 156,6 mil. Teoricamente, sobrariam R$ 25,4 mil por mês para montar um time para a Copa Paulista e contratar um treinador, já que a maioria dos profissionais da comissão técnica recebem através do outro projeto via Lei de Incentivo.

O que agrava a situação é que, além do déficit financeiro de R$ 800 mil que precisa ser zerado, o XV terá que pagar urgentemente R$ 280 mil ao Ludogorets da Bulgária, referente à condenação no caso Paulinho. Se não bastasse, em algum momento o Alvinegro ainda terá que quitar um empréstimo particular total de quase R$ 940 mil, feito por Celso Christofoletti (presidente), Ricardo Moura (vice) e Renato Bonfíglio (ex-presidente). Sem uma grande receita, como a cota da Série A1 do Paulista, a situação se tornará mais difícil ano após ano. Com a realidade financeira de hoje, a expectativa para a Copa Paulista se resume em uma palavra: sofrimento.

Há luz no fim do túnel? Sim, mas dependerá do que a diretoria vai conseguir para o segundo semestre, seja através de uma receita maior (patrocinadores na camisa, pois não há mais exclusividade) ou possíveis parcerias, com jogadores a custo zero, que venham para jogar e não curtir a noite. Existe ainda a possibilidade de negociar atletas. O Alvinegro possui dois profissionais que estão disputando a Série B do Brasileiro, e mais sete de base emprestados a clubes que possuem calendário nacional. Minha conclusão é que, para se conseguir um equilíbrio financeiro, para se fazer o básico sem cometer loucuras, o clube precisaria de uma receita anual em torno de R$ 4 milhões (R$ 333 mil/mês), isso sem contar possíveis imprevistos.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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