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Basquete

Com jogos situacionais, Passe de Mágica trabalha resolução de conflitos

Instituto criado em 2004 por Magic Paula atendeu 747 educandos no mês de agosto em sete núcleos

Em setembro, as atividades no Jardim Portinari são voltadas para a resolução de conflitos (Foto: IPM/Divulgação)

Resolução de conflitos utilizando jogos situacionais. É essa a estratégia adotada ao longo do mês de setembro pelos educadores do Instituto Passe de Mágica no trabalho com as crianças e adolescentes que frequentam as atividades realizadas no Ginásio Poliesportivo Rômulo Duncan Arantes, no Jardim Portinari, em Diadema (SP). Criado em 2004 pela medalhista olímpica e campeã mundial de basquete, Magic Paula, o projeto não tem fins lucrativos e promove a prática do esporte para o desenvolvimento humano. Em agosto, foram 747 atendimentos nos sete núcleos instalados em Diadema, Piracicaba e São Paulo.

Na região do Grande ABC, são dois polos com aulas gratuitas às quartas e sextas-feiras. No Jardim Portinari, as atividades acontecem das 8h15 às 11h, no período da manhã, e das 13h15 às 17h, pela tarde. Nos mesmos dias, as ações são realizadas no Senai ‘Manuel Garcia Filho’, sempre das 8h às 11h (manhã) e das 13h30 às 17h (tarde). As turmas são divididas por faixa etária. “O objetivo do mês é trabalhar a resolução de conflitos e os jogos situacionais. Nós trazemos diversas estratégias voltadas para a iniciação esportiva, no basquetebol. Inserimos o drible, o passe e o arremesso, trabalhando em conjunto com uma boa comunicação, escuta ativa, colaboração, cooperação e respeito”, contou o educador Reinaldo Dias Almeida.

Instituto Passe de Mágica - Núcleo Jardim Portinari (Diadema-SP)

Usando jogos situacionais, os educadores ensinam as crianças a resolver conflitos (Foto: IPM/Divulgação)

No Portinari há dez anos, Reinaldo já testemunhou inúmeras histórias de transformação com os educandos. “Alguns deles apresentam dificuldades em relação a amparo e sociabilização, mas quando vêm ao IPM, eles se sentem acolhidos. A explicação se deve à vivência. Aqui eles aprendem a evitar palavras de baixo calão e respeitar o que foi combinado previamente, por exemplo. Eles gostam das aulas, pois elas sempre têm uma brincadeira no aquecimento, um jogo e um desafio pessoal ou coletivo, além de uma roda de conversas para avaliar se os objetivos foram alcançados”, relatou.

As rodas de conversa não são mero ‘capricho’ do roteiro. É nesse momento que as crianças têm voz, percebem os amigos e tiram aprendizados que podem ser úteis ao longo da vida. “A roda de conversa é essencial, nós precisamos saber se estamos sendo compreendidos por eles. Ouvi-los é muito importante. Ao longo desse tempo aqui no instituto, falando com educandos que já passaram por aqui, ouvi coisas como: ‘Sabe aquela dinâmica que você passou na atividade? Quando fui procurar emprego, teve aquela mesma dinâmica e eu saí na frente de outros candidatos que não conheciam’. Hoje, o mercado de trabalho valoriza muito esse espírito coletivo, de liderança”, afirmou Reinaldo.

Instituto Passe de Mágica - Núcleo Jardim Portinari (Diadema-SP)

Além do contato com a bola, os educandos são incentivados a refletir no IPM (Foto: IPM/Divulgação)

Além dele, a educadora Bruna Lino também atua no núcleo do Portinari, que tem a supervisão de Amanda Busch. Há dois anos no local, Bruna compartilha a opinião de Reinaldo. “Temos pilares que nós trabalhamos a cada aula. O feedback que chega é super importante, porque os educandos explicam o que sentiram e viram, e a reflexão final facilita o desenvolvimento do trabalho. A evolução deles é muito clara: os pais relatam novas formas de pensar, melhora no comportamento social, na escola, a conquista de novos amigos. Aqui, eles aprendem que o jeito deles deve ser respeitado sempre; o respeito próprio é o que gera o respeito do outro”, disse.

Formada em educação física, Bruna aprendeu por experiência própria que o esporte é uma ferramenta capaz de conectar as crianças. No Instituto Passe de Mágica, essa é uma marca registrada. “O corpo e a mente trabalham e caminham juntos. A roda inicial é o momento deles se perceberem, se olharem e compreenderem o que eles vão fazer. Nós não individualizamos, mas trabalhamos com situações que eles vivem. Depois, vem o aquecimento, a dinâmica das aulas. Estamos trabalhando muito com jogos que trazem problemas para serem resolvidos. Então, estimulamos eles a pensarem. Não tem jeito errado, o importante é que eles pensem. São modos diferentes de chegar ao objetivo e eles compreendem qual é a melhor estratégia para se usar”, finalizou.

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