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Futebol

Christofoletti dispara contra gestão Beltrame

Atual presidente critica antecessor; clube não cede prova de acusações

Celso Christofoletti, presidente do XV de Piracicaba
Celso Christofoletti criticou duramente a gestão conduzida por Luis Beltrame (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

Cinco anos depois de assumir o XV de Piracicaba pela primeira vez, Celso Christofoletti escancarou publicamente que a transição feita com a gestão anterior, comandada pelo advogado Luis Beltrame, não foi exatamente amigável. A relação entre ambos não existe. Em entrevista concedida à rádio Jovem Pan News no último dia 3, Christofoletti criticou a imprensa e disparou contra Beltrame, presidente do clube entre 2008 e 2012, além de citar João Carlos Maiolo e Valmir Freitas, vice-presidente e diretor de futebol no período, respectivamente.

Na entrevista, o atual presidente apontou dívidas de quase R$ 2,5 milhões deixadas pelo antecessor e afirmou que assumiu o XV com quase quatro meses de salários atrasados. “Vocês (imprensa) dizem que a gestão do senhor Beltrame, com o senhor Maiolo, foi muito melhor que a nossa (…) eles fizeram dívidas, prometeram salários altos e não pagaram os últimos três meses quando eles subiram. Eu provo isso”, disse Christofoletti. A reportagem procurou funcionários do clube à época, que confirmaram atrasos de cerca de dois meses.

EMPRÉSTIMO

Christofoletti disse também que emprestou dinheiro ao XV na gestão Beltrame e ainda não foi pago pelo que cedeu ao Nhô Quim no mandato do ex-cartola. A prática do empréstimo é comum entre os dirigentes. Em maio de 2015, por exemplo, Christofoletti depositou nos cofres do clube R$ 230 mil, conforme atestam documentos assinados pelo atual presidente, aos quais teve acesso a reportagem. Na época, a direção era encabeçada por Rodrigo Boaventura. De acordo com o documento, o valor deveria ser pago em parcela única, mediante antecipação da cota da FPF (Federação Paulista de Futebol) de 2016, acrescidas de juros de 1,5% ao mês. O pagamento referente apenas aos juros, feito em fevereiro de 2016, somou cerca de R$ 33 mil.

Perguntado sobre a quantia total que emprestou desde que é ligado à agremiação e se a cobrança de juros é prática comum no XV, Celso Christofoletti respondeu, em nota, que “o clube precisou realizar empréstimos, os quais foram auditados por auditorias contábeis externas e independentes, além de informado ao Conselho Deliberativo”. Na entrevista à rádio Jovem Pan News, o presidente comparou a política ‘pé no chão’ da atual diretoria e reforçou que cumpre ‘religiosamente’ com os compromissos financeiros, ao contrário do que, segundo ele, fez a gestão anterior.

‘Não vamos subir a qualquer custo. Quem trabalhou assim foi a gestão anterior e ficou devendo quase R$ 2,5 milhões’

“Nós temos CND (Certidão Negativa de Débitos), não devemos para nenhum jogador. O que temos hoje é dívida com bancos, pois temos crédito, coisa que eles não tinham. E crédito em banco você não adquire do nada, você adquire pela credibilidade, trabalho direito, orçamento financeiro correto. Não vamos subir o XV a qualquer custo. Quem trabalhou assim foi a gestão anterior, subiu a qualquer custo, ficou devendo quase R$ 2,5 milhões que a minha gestão pagou, e provo para quem quiser. Eles estão levando os louros pela subida, mas ninguém fala sobre as dívidas que eles deixaram no clube. No Hotel Nacional, foram R$ 200 mil”, afirmou.

Na última sexta-feira (11), Christofoletti disse à reportagem que “as pendências da gestão anterior foram liquidadas conforme créditos bancários específicos em cada processo”. Via e-mail, o cartola enumerou pendências com atletas, comissão técnica, aluguéis, fornecedora de material esportivo, depósitos na Justiça do Trabalho, escritório contábil, Hotel Nacional, Imobiliária ATO e pagamento do empréstimo a Valmir Freitas. “Aderimos ao Profut e estamos liquidando rigorosamente em dia para quitação de todas as pendências de impostos federais da história do clube: INSS, PIS, Imposto de Renda e FGTS, com a obtenção, inclusive, da tão importante CND”, disse.

RECEITA

“Tendo em vista o parcelamento dos débitos, o não recolhimento no passado acaba por isentar que os ex-presidentes sejam responsabilizados perante à Receita Federal e à Justiça Federal”, completou Christofoletti. Na entrevista à rádio, o mandatário havia disparado contra o antecessor. “O senhor Beltrame deveria nos agradecer, livramos a cara dele na Receita Federal, pois ele foi chamado para explicar porque não pagou impostos de atletas e funcionários, que ele reteve e não pagou. E ainda sou criticado pelo Valmir (Freitas). Em 2012, quando assumi a presidência, eles haviam antecipado a cota da Série A1. O que eu digo aqui, eu provo. É só ir ao estádio que eu provo”.

A reportagem solicitou cópia dos documentos que provam a existência de dívidas e pendências que teriam sido feitas e deixadas para trás pelo ex-presidente Luis Beltrame, mas teve o pedido negado pelo clube. “Os documentos estão à disposição daqueles que foram citados nas declarações e que estão envolvidos de forma direta”, diz a nota enviada pela assessoria de imprensa. À Jovem Pan News, Celso Christofoletti afirmou também que a gestão anterior antecipou a cota da Série A1 uma semana antes de deixar o clube, fez empréstimo no banco e ‘pegou’ a renda do último jogo. “Tenho tudo provado”, insistiu. Na sexta-feira (11), o cartola explicou a declaração.

‘Não acusamos de roubo ou má fé; nós acreditamos que os valores deveriam ser liquidados após as eleições’

“No final do mandato da gestão anterior, a mesma antecipou parte da cota referente ao Paulistão 2013, conforme crédito bancário direto da FPF. Há também créditos bancários no final da gestão anterior referentes a empréstimo bancário. Nos dias próximos ao último jogo da Copa Paulista de 2012, foi liquidado um valor de R$ 20 mil, referentes a uma dívida alegada pela gestão anterior. Não acusamos de roubo ou má fé, mas sim liquidação de empréstimos pessoais com eles, em detrimento de outros compromissos. Acreditamos que os valores deveriam ser liquidados após as eleições, de acordo com o ajustado com a nova direção, especialmente pelo fato dos salários estarem atrasados”, declarou.

Christofoletti também culpou a direção anterior pela multa de aproximadamente R$ 260 mil à qual o XV foi condenado a pagar ao Ludogorets, da Bulgária, na transação malsucedida envolvendo o atacante Paulinho. Na época, Luis Beltrame estava afastado da presidência para concorrer ao cargo de vereador. Rubens Braga foi quem assinou o documento junto aos búlgaros. Christofoletti acusou os antecessores de uma falha que significou prejuízo de R$ 300 mil na venda de Jonathan Cafu. “Deixaram o caso Paulinho para nós resolvermos, a merda que eles fizeram na Bulgária. Emprestou o jogador com um contrato em inglês, o presidente assinou e não sabia o que estava escrito lá”, disparou.

Luis Beltrame, ex-presidente do XV de Piracicaba

Luis Beltrame dirigiu o XV de 2008 a 2012; ex-presidente diz que vai rebater críticas (Foto: Arquivo Pessoal)

“O Cafu estava abandonado no Bosques do Lenheiro e fomos buscar ele lá. Tivemos que pagar quase R$ 300 mil de uma falha também da gestão anterior, pois apareceu um contrato de parceria com o Desportivo Brasil”, disse Christofoletti. “Após aproximadamente um mês da concretização da venda, fomos surpreendidos por uma notificação do Desportivo Brasil acerca da existência de um contrato que mantinha 40% dos direitos econômicos do atleta. O contrato não se encontrava nos arquivos do clube, motivo pelo qual foi necessária uma negociação. Vale ressaltar que já liquidamos esta pendência”, completou.

A reportagem consultou duas fontes que acompanharam a negociação. Ambas negam a versão de Christofoletti e afirmam que o clube tinha conhecimento do vínculo de Cafu com o Desportivo Brasil. A informação de que o atacante, hoje no Bordeaux, da França, estava abandonado pelo XV, também não procede. Após marcar o primeiro gol como profissional na vitória por 2×1 sobre a Ponte Preta, pelo Paulistão 2012, em triunfo crucial para evitar o rebaixamento à Série A2, Cafu ganhou espaço no time e iniciou a Copa Paulista daquele ano como titular, mas o baixo rendimento o levou para o banco de reservas. Em 2013, já com Christofoletti na presidência, o jogador chegou a ser emprestado ao Capivariano no primeiro semestre, mas acabou como artilheiro do XV na Copa Paulista, com cinco gols, na segunda metade do ano. Procurado, Luis Beltrame disse irá rebater as críticas do sucessor em “momento mais adequado”.

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