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‘Chocho’

*Capa: Elcio Fabretti

No fim da tarde da última quarta-feira (16), minutos após o XV de Piracicaba ser eliminado da Copa Paulista pelo Marília, nas semifinais, passei a mão no telefone e liguei para o meu avô. Depois do tudo bem e tudo bom, lancei a ‘braba’, como hoje se diz:

“E o XV, vô?”, perguntei.

“Ah, Lê…”, respondeu parcialmente meu avô, provavelmente ajeitando o corpo na resistente poltrona que está na sala, de frente para a televisão.

Meu avô não viu nenhuma partida do XV na Copa Paulista, mas ouviu todas. Seu Hélio não sabe mexer na internet, mas tenho a convicção de que, mesmo se soubesse, manteria a fidelidade ao rádio. E completou a resposta:

“Então, fio. Parece que a ‘jogadorzada’ estava meio sem vontade, né? Foi chocho”, concluiu.

Ao contrário do meu avô, eu vi os jogos. Ele tem razão. Foi morno. Chato. ‘Chocho’. Diferente de ‘xoxo’, expressão que é própria da língua inglesa.

Não dá para excluir do contexto que o XV reformulou o elenco quase completo, trocou o treinador, mudou parte da diretoria. Moisés Egert foi prolixo na tentativa de esclarecer que se tratava de uma equipe em construção – com total razão. Esforçou-se para impor o discurso de ‘empenho e desempenho’, o que sinceramente não enxerguei. Discordo, professor…

A Copa Paulista, aliás, foi de baixo nível. Mais do que de costume. Talvez pelo calendário, estádios vazios, pandemia. Talvez por tudo isso. Difícil falar de desempenho. O XV não empolgou em jogo algum. No geral, deu a impressão de que andava quando precisava correr. Lento… Individualmente, o goleiro Vitor Prada é o bode expiatório da vez. Não é para tanto. Mas é para dizer que foi bastante inseguro, sobretudo nas bolas aéreas. Daí a vilão, o caminho não é curto.

Foi tão chocho, como disse meu avô, que até as explicações para a eliminação não tiveram impacto: os erros de arbitragem com o gol irregular lá e o (s) pênalti (s) não marcado (s) aqui, o surto de Covid-19, as lesões… Ainda teve gol de piracicabano, Gustavo Nescau, para ressuscitar a ladainha de que é “mais um menino daqui que não teve oportunidade”, como se a cidade fosse comprometida com o clube – na última eleição, em novembro, apenas 385 sócios estavam aptos a votar e só 136 exerceram o direito.

Vale ressaltar que o trabalho recém-iniciado com Moisés Egert não pode cair na tentação de herdar o histórico recente do XV, que sempre chega, mas patina. O tempo que separa a eliminação na Copa Paulista da estreia na Série A2 será fundamental para reciclar o ambiente derrotista instalado no Barão da Serra Negra.

O XV precisa, urgentemente, voltar a vencer. Como? A diretoria e o treinador têm dois meses para começar a responder. O que o torcedor não suporta mais é ouvir as mesmas frases, sentir o mesmo gosto amargo da frustração e encerrar a temporada novamente ‘celebrando’ boa administração.

Chocho, né?

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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