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Ginástica Artística

‘Chance de Olimpíada existe, mas não vamos fazer loucuras’

Responsável pelo trabalho com Diogo Soares, Daniel Biscalchin avalia ano e projeta 2020

Daniel Biscalchin, treinador de ginástica artística da academia Pira Olímpica
Daniel Biscalchin é o treinador responsável pelo trabalho desenvolvido na Academia Pira Olímpica (Foto: Líder Esportes)

Diogo Soares fez história em 2019. Medalhista na primeira edição do Mundial Juvenil, com a prata nas argolas conquistada em Gyor, na Hungria, o ginasta piracicabano vive fase de transição. Na estreia pelo Campeonato Brasileiro Adulto de Ginástica Artística, o resultado não poderia ser melhor: campeão individual geral. No próximo ano, o tamanho do desafio aumentará: Diogo terá pela frente competições que podem render a ele uma vaga para os Jogos Olímpicos de Tóquio. A classificação olímpica, porém, não é uma obsessão.

“Vamos fazer a transição do juvenil para o adulto com tranquilidade, sem queimar etapas”. A afirmação é de Daniel Biscalchin, primeiro e único técnico na carreira do atleta. O treinador da Academia Pira Olímpica conhece como ninguém o potencial do ginasta. Na última sexta-feira (13), Biscalchin avaliou a temporada como “muito positiva”, abriu o jogo sobre o planejamento que traçou para Diogo Soares em 2020 e falou sobre as dificuldades enfrentadas na preparação e no desenvolvimento do esporte em Piracicaba. Confira:

RESULTADOS

“Foram excelentes. Desde criança, quando o Diogo começou a competir, temos excelentes resultados. Em 2019 não foi diferente. Ele participou da Berlin Cup e foi campeão individual geral, uma competição bem disputada e com atletas de alto nível. Depois, tivemos o Mundial Juvenil, onde ele conseguiu a medalha de prata nas argolas, e também foi campeão na segunda etapa do Campeonato Brasileiro Adulto, o que é bem expressivo, pois foi a nossa primeira participação. Por último, teve o Brasileiro Juvenil, que marcou a despedida da categoria. Fechamos realmente com chave de ouro. Ele fez a maior pontuação da história, foi campeão mais uma vez no geral e teve cinco medalhas de ouro nos aparelhos, em seis possíveis. Isso com a gente testando e arriscando novos elementos, mais difíceis e que pretendemos utilizar no futuro. Sem dúvida, foi um ano excelente”.

APRENDIZADO

“O que faltou, mas não deixou de ser um aprendizado, foi no Mundial Juvenil. Apesar de ter sido um resultado histórico, excelente com a prata nas argolas, que não é o nosso forte, foi uma competição em que o Diogo estava muito bem preparado e ele teve dificuldades em relação à ansiedade. O Diogo sempre competiu muito bem, mas dessa vez não foi seguro. Ele tinha condições de ficar entre os três melhores, talvez ganhar o campeonato, mas cometeu essas falhas. Dos seis aparelhos, falhou em quatro. É lógico que nós não lamentamos, porque isso é um aprendizado que vai trazer segurança lá na frente”.

“Não vamos atropelar as coisas para entrar na Olimpíada em 2020. Se tiver chance, vai buscar, mas sem loucuras”

Daniel Biscalchin, treinador de ginástica artística da Academia Pira Olímpica

Daniel quer fortalecer o trabalho de base visando o futuro da ginástica piracicabana (Foto: Líder Esportes)

TRANSIÇÃO

“É algo que vai mudar para o ano que vem, apenas no adulto. São dois elementos a mais para entrar na série dele e isso gera mais desgaste, então ele precisa estar mais preparado, vai mudar a estrutura da série dele. Nós estamos pensando nisso há algum tempo, vamos fazer a transição da maneira como planejamos, mas o foco principal não é nesse ano, pois é impossível sair do juvenil e entrar com tudo no adulto. Aos poucos, ele vai evoluir”.

PROJEÇÃO

“O planejamento é que ele esteja em forma, fazendo tudo o que faz hoje, no final de fevereiro. No começo de março, temos uma competição nos Estados Unidos (American Cup), será a primeira competição internacional dele no adulto, com atletas de altíssimo nível. Será um teste e lá vamos tentar colocar algumas coisas novas, vamos ver como ele irá se sair. Milagre não dá para fazer, então será de forma natural. Em maio, vamos focar no Pan-Americano, que dá uma vaga olímpica para o especialista no individual geral. Vamos deixar ele com uma condição física muito boa, corrigindo detalhes de postura e força, fazendo um trabalho preventivo em relação às lesões. O importante é ele chegar bem em maio”.

OLIMPÍADAS

“A chance de participar existe. Se perguntassem para mim dois anos atrás se era possível o Diogo disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio, eu provavelmente diria que não. O foco dele sempre foi 2024, mas o tempo foi passando, ele foi melhorando, conquistando resultados importantes e chances, hoje, ele tem sim, tanto na equipe quanto no individual. Mas, repito: não é o foco principal e não vamos atropelar as coisas para entrar (nos Jogos) em 2020. Se tiver chance, vai buscar, mas sem loucuras”.

Diogo Soares, ginasta da Academia Pira Olímpica, e o treinador Daniel Biscalchin

Daniel Biscalchin e Diogo Soares: parceria iniciada em 2004 gera resultados (Foto: Líder Esportes)

DIFICULDADES

“Após as medalhas nas Olimpíadas da Juventude (2018), a aparelhagem que veio da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) nos ajudou significativamente. Ainda não temos o ‘top de linha’, mas em relação ao que a gente tinha, é muito melhor e está fazendo a diferença. A única coisa que falta é o solo, nós temos muita dificuldade. O nosso solo está ruim e tenho que dar algum jeito de reformar, porque para comprar novo fica muito caro. O principal problema nosso é esse, em relação à aparelhagem. A falta de patrocínio também pesa bastante nas viagens, bancamos do bolso o custo de material também. O Diogo tem o Bolsa Atleta, algumas pessoas nos ajudam, mas, a grosso modo, não temos patrocinadores. Isso faria diferença no planejamento e na tranquilidade para realizar o trabalho. É algo que vamos continuar buscando”.

PROJETO

“É algo que faço desde 2004, quando montei a academia e fiz o projeto de base com a Prefeitura de Piracicaba. Daí surgiram os atletas que hoje competem pela cidade, inclusive o Diogo. Em 2019, começamos o trabalho com crianças novas, estamos preparando novamente para reposição. No futuro, isso nos trará resultados. O que me deixa um pouco triste é que a procura (pela ginástica) ainda é pequena. Vagas e condições, nós temos. Em 2020, vamos tentar divulgar mais para tentar chamar a criançada para a academia e formar a base novamente. O uso da tecnologia, com as facilidades que ela traz, é uma barreira que o esporte enfrenta atualmente. Para você ter ideia, em 2004, tivemos mais de 250 crianças na seletiva, rolou até lista de espera. Queremos atingir mais crianças e buscar mais qualidade para sustentar o projeto de Piracicaba no futuro”.

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