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Futebol

Beltrame rebate críticas e ameaça ir à Justiça

Ex-presidente do XV questiona gestão de Christofoletti e pede explicações

Luis Beltrame, ex-presidente do XV de Piracicaba
Luis Beltrame foi presidente do XV de Piracicaba entre 2008 e 2012 (Foto: Diego Santillana/Líder Esportes)

Ex-presidente do XV de Piracicaba, o advogado Luis Beltrame rebateu as críticas feitas pelo empresário Celso Christofoletti, atual mandatário do clube. Beltrame atendeu a reportagem na última sexta-feira (18) e foi questionado sobre as reprovações feitas pelo sucessor, em entrevista à rádio Jovem Pan News no dia 3 de agosto, e ao LÍDER, domingo (13) passado. O advogado foi questionado sobre atrasos salariais, dívidas e pendências que deixou ao longo de sua gestão (2008-2012), respondeu sobre falhas de conduta apontadas por Christofoletti e negociações envolvendo os jogadores Jonathan Cafu e Paulinho, além de reprovar a postura do atual presidente.

“Não gostaria de estar aqui falando sobre isso, por vários motivos. O Celso foi meu amigo e ajudou muito o XV, mas deve ter receio que eu não reconheça isso. Nunca vou negar o quanto ele ajudou na época em que fui presidente e ele diretor. Aliás, quando ele faz menção à minha gestão, ele deveria se incluir, pois foi diretor meu e foi participativo, ajudando de todas as maneiras, inclusive pessoalmente, quando meu filho (Gustavo Lacerda Beltrame) morreu. Quando o meu mandato estava acabando e ele foi ao meu escritório manifestar a vontade de assumir a presidência do XV, eu apoiei”, disse Beltrame.

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O ex-presidente criticou a postura de Christofoletti. “Não entendo qual o motivo de falar tanta baboseira depois de cinco anos. Assumi o XV em 2008, o clube vivia uma situação extremamente delicada, mas nunca olhei para trás. Não procurei responsável em gestões anteriores e sempre busquei soluções. E agora, depois de cinco anos, ele dispara a metralhadora em minha direção. Há coisas que não deveriam ser tratadas na imprensa. Depois, o pessoal pergunta porque ninguém ajuda o XV nas campanhas de R$ 1, porque patrocinadores deixam o clube. Vou me defender, ele foi injusto. O Celso terá a chance de provar tudo o que disse. Na Justiça, inclusive”. Confira a entrevista na íntegra:

DÍVIDAS

“O XV começou em 1913 e não está vivo por causa de mim, do Celso ou do Rípoli (Romeu Ítalo, ex-presidente). É uma história, uma sequência. E essa história tem muitas situações que prejudicaram o próprio XV. Eu nunca neguei para ninguém que tive de contrair algumas dívidas para que pudéssemos ter receita. O Celso fala em dívida, mas e a receita que deixei para ele? Isso ele não fala. Quando saí, em 2012, o cota da FPF (Federação Paulista de Futebol) era de quase R$ 2 milhões, sem contar patrocinadores, renda de jogos contra clubes grandes. Então, quando ele assumiu, havia mais de R$ 3 milhões de renda. O Celso é empresário e qualquer empresário sabe que toda empresa tem um poder de endividamento. E quando assumi o XV, só de ações trabalhistas, eram mais de 70 e nunca fui na imprensa falar que qualquer problema que tivesse era derivado disso. Eu olhei para frente e consegui fazer a recuperação judicial. Se hoje o XV não deve mais, é porque fui eu que fiz o acordo judicial e não cobrei um centavo do clube. Nós sempre trabalhamos de forma gratuita, não recebi nenhum dinheiro do XV, nem de juros. Paguei mais dívidas do que deixei. É injusto e mesquinho ele falar de R$ 2,5 milhões em dívida”.

PENDÊNCIAS

“O que ele fala procede, sim. Agora, vá investigar o que ele falou. No caso do Hotel Nacional, vá investigar quando é que começou a dívida do XV. Eu paguei uma boa parte, fazíamos troca com propagandas. A dívida da ATO Imobiliária, vocês (imprensa) podem pesquisar quando começou. Em 2009, quando nós perdemos o acesso em Osasco, tínhamos 17 apartamentos alugados, se não me falha a memória. Perdemos o jogo e houve o problema com o Renato (Bonfíglio, ex-dirigente). Na segunda-feira seguinte, o Luis Guilherme Schnor cortou o patrocínio da Supricel e entendo ele perfeitamente, pois estava preservando a imagem da empresa dele. Isso pegou a gente de calça curta. Eu nunca neguei para ninguém que deixei dívidas. Agora, porque ele não fala o quanto nós evoluímos? Em 2008, nós assumimos o XV e não havia um jogo de uniforme completo. Isso não é força de expressão, é literal. Se precisasse fazer um jogo naquela semana, não tinha uniforme. Fomos conversar com o Junior Deffende e descobrimos que o material esportivo do ano seguinte (2009) já tinha sido utilizado. Não dava nem para adiantar material. Se não fosse a boa vontade do Junior Deffende, não tinha uniforme para disputar a Copa Paulista. Na sede, havia uma máquina de escrever, uma máquina de fax e um computador que não funcionava. Isso com quatro ou cinco oficiais de justiça na porta do estádio. Quantas vezes vendemos ingresso para evitar penhora? E eu nunca reclamei de ninguém”.

Luis Beltrame contesta a venda de Paulinho para o Flamengo e deságio na negociação com Gaudagno

ATRASO SALARIAL

“Não lembro sinceramente, mas acredito que não chegou aos três, quatro meses como o Celso falou. O atraso houve, sim, mas não com esse tempo”.

EMPRÉSTIMO E ENCARGOS

“Emprestei dinheiro ao XV várias vezes e nunca cobrei um centavo de juros. As dívidas nossas, inclusive, estão contabilizadas lá no clube. Quando saí do XV, realmente havia uma dívida com o Celso, algo em torno de R$ 21 mil. Depois, essa dívida sumiu. Provavelmente, ele recebeu isso. Mas não é só comigo, não. Veja os documentos e vai encontrar empréstimos de João Carlos Maiolo, José Roberto Alleoni, Ledy Nascimento, Valmir de Freitas… Nunca cobramos juros por isso. Ele (Celso) pode argumentar que cobrava juros abaixo do mercado, mas 1,5% ao mês é mais do que qualquer aplicação financeira paga. E acho que a coisa é tão boa, que a contabilidade registra uma pessoa de nome Leonardo Christofoletti, que eu não sei quem é, que emprestou R$ 142 mil para o XV. Vou fazer um requerimento ao Conselho Deliberativo para que se levante o valor de todos os empréstimos e o valor de juros total que ele (Celso) recebeu do clube. Em seis meses, foram mais de R$ 30 mil. Pergunta para o senhor Luiz Carlos Furtuoso se ele recebia juros de empréstimo do XV. Fala com o Antonio Chaim, Edison Angeli, Mané Miranda, Pedro Cruz… Pergunta se alguém recebeu um centavo de juros do XV. Ele (Celso) pode justificar o que quiser, mas ganhou dinheiro em cima do XV e cobrava multa de 5% caso o XV atrasasse o pagamento. Isso está em contrato”.

‘O Celso sabe de tudo isso que estou falando. Ele era meu diretor, sabia o que acontecia’

CREDIBILIDADE

“Veja com os seus olhos os extratos de movimentação bancária com o Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil) e peço que você confirme a informação com o senhor Luiz Carlos Furtuoso, que era o presidente do Sicoob na época. Pergunta se não mantínhamos várias operações financeiras de vulto com o meu aval, junto ao Sicoob. O extrato está na sua mão. E o Celso vem me dizer que eu não tinha credibilidade?”.

RECEITA FEDERAL

“Nunca fui chamado na Receita Federal. Isso que ele está imputando a mim, é prática de crime e ele vai responder pelo que disse. Fazer retenção de imposto e não recolher chama-se apropriação indébita. É diferente de você não pagar. Um dos pilares que eu utilizava na Justiça para conseguir o acordo judicial que consegui, foi exatamente esse. O XV não tinha dinheiro para pagar salários, encargos e dívidas antigas. Nós precisávamos chegar à Série A1 do Paulista, pois aí teríamos cotas e patrocínio, gerando maior renda. Assim, poderíamos saldar os débitos passivos. Foi exatamente o que aconteceu e o Celso sabe de tudo isso que estou falando. Ele era meu diretor, sabia o que acontecia no XV. Eu argumentei isso na Justiça: se eu pagar encargos, não tenho condições de honrar com a folha de pagamento. Se não pago a folha, não tenho time. Se não tenho time, o XV naquela situação fecharia. E fechando o XV, ninguém receberia, porque o XV não tinha um pardal para dar água. Eu sempre usei essa expressão, porque o patrimônio do XV foi dilapidado. A única salvação dos credores do XV era que o clube se mantivesse aberto e em atividade, e foi isso que nós fizemos. E se o senhor Celso pagou todas as dívidas que diz que pagou, é porque eu consegui o acordo na Justiça e deixei a receita que deixei com o acesso para ele”.

ANTECIPAÇÃO DE COTA

“Quando eu estava encerrando meu mandato, ainda tínhamos dívidas para receber. Eu me lembro que esses valores (cerca de R$ 20 mil, referente ao último jogo da Copa Paulista 2012) que ele diz, foram para pagar uma parte da dívida com minha mãe. Para você ter uma ideia, minha mãe ajudou a fazer a folha de pagamento do XV. O Celso foi leviano na forma como colocou a informação na rádio, usou de má fé ao dizer que ‘pegamos para nós’ a renda do jogo. Mas, ele terá a oportunidade de provar isso. Li a entrevista em que ele diz que não foi o momento oportuno… Olha, eu tenho documentos que mostram pagamentos de empréstimos, em janeiro de 2016, beirando a casa dos R$ 800 mil. Quer dizer, às vésperas de começar o Campeonato Paulista. Aí eu pergunto: com que moral ele pode falar que tirei R$ 20 mil do XV? São acusações levianas”.

VENDA DE PAULINHO

“Quando foi feita a negociação do Paulinho, nós deixamos o contrato à disposição na antiga sala de imprensa do XV. Não fui eu que assinei aquele contrato, pois estava afastado, mas logicamente o documento foi traduzido. É bom tocar no assunto, pois há algumas coisas estranhas na venda do Paulinho. O Celso diz que causei prejuízo ao XV, mas qual responsabilidade nós tínhamos se o Paulinho não quis ficar na Bulgária? Nós não obrigamos ele a vir embora. E nós havíamos negociado o Paulinho por 550 mil euros (cerca de R$ 1,5 milhão pela cotação da época). No contrato de venda para o Flamengo, há algumas coisas interessantes. O XV vendeu 60% dos direitos econômicos do Paulinho em 2013 por R$ 1 milhão, valor que deveria ser pago em junho de 2014. No dia 31 de outubro de 2013, há um contrato que diz que o XV vendeu esse crédito de R$ 1 milhão por R$ 550 mil para a Guadagno Sports, que é do Cláudio Guadagno, ex-jogador de futebol, que trabalha com negociação de atletas e com quem mantínhamos relacionamento bastante cordial. Ele (Celso) deu um deságio de R$ 450 mil para o Cláudio. Se o Celso tivesse ido no banco, nessa data, e feito um empréstimo pagando 2,5%, valor de juros da época, ele conseguiria aproximadamente R$ 840 mil. E depois vem dizer que eu causei prejuízo ao XV? Ele vendeu uma dívida de R$ 1 milhão que o Flamengo tinha com o XV por R$ 550 mil. No mesmo contrato, o Celso vendeu mais 10% ao Guadagno pela quantia de R$ 145 mil. Portanto, o XV deveria ter ficado com 30% do Paulinho. Mas, na composição dos direitos econômicos, aparecem 20% pertencentes a uma parte chamada Cândido Santos Neto Consultoria LTDA, sem valor de venda algum. Depois, os 10% restantes foram vendidos ao Carlos Leite (empresário) por R$ 250 mil na gestão do Rodrigo Boaventura. O Celso quer comparar gestão, mas antes deveria vir a público explicar essas coisas”.

Celso Christofoletti, presidente do XV de Piracicaba

Celso Christofoletti é o atual presidente do XV de Piracicaba (Foto: Arquivo/Mauricio Bento/Líder Esportes)

JONATHAN CAFU

“O Celso disse que o XV pagou R$ 300 mil ao Desportivo Brasil pela venda do Cafu, que significaria 40%. Como, se o Cafu foi vendido ao Grupo Doyen por R$ 450 mil? Agora, ele falar que recuperou o Cafu e foi buscá-lo no Bosques do Lenheiro… É um absurdo. O Cafu veio comigo em 2012, na Série A1, através do Douglas Pimenta (empresário). No Paulistão de 2012, o Cafu foi relacionado em 14 jogos e entrou em campo oito vezes, marcando o gol mais importante do XV no ano, contra a Ponte Preta. Na Copa Paulista de 2012, ele participou de 20 jogos, começou de titular e o último jogo que fez foi contra o Audax. Ele (Celso) é que emprestou o Cafu para o Capivariano em 2013”.

CATEGORIAS DE BASE

“Há uma série de coisas que o Celso poderia explicar. Por exemplo, a terceirização da base do XV a troco de R$ 13 mil por mês, com direito a patrocínio na camisa e duas placas de publicidade no campo. O Celso firmou contrato com a Sanches Participações LTDA e CR Carvalho Promoções Esportivas no dia 7 de fevereiro de 2017, com participação de 40% para a empresa Sanches Participações LTDA no valor total de negociação de qualquer jogador das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, durante o período de 25 meses. E há uma cláusula que indica uma parceria feita em 2016 com o percentual do XV baixando para 10% e 90% para a empresa. Pelo estatuto, qualquer parceria tem que passar pelo Conselho Deliberativo. São coisas assim que o Celso poderia vir a público explicar, quem sabe abrir a contabilidade para qualquer um de nós. Quem tem telhado de vidro, não pode jogar pedra no vizinho”.

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