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Opinião

Bagunçado

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

O futebol é negócio, e negócio sem dinheiro, geralmente, não dá certo. Em junho, o XV de Piracicaba fechou parceria com grupo de empresários e isso foi compreensível do ponto de vista financeiro: o clube estava na ‘pindaíba’, apresentava dificuldades para sustentar-se e teve de mendigar para pagar a dívida com o Ludogorets, da Bulgária, após ser condenado no ‘caso Paulinho’. A verdade é que desde o rebaixamento para a Série A2 do Campeonato Paulista, em 2016, o XV cambaleia quando o assunto é grana.

A desconfiança sobre o que poderia acontecer em campo aumentou a cada pacote de contratações, invariavelmente recheados com atletas que não serviam para o Bragantino, alguns ainda sem estrear no futebol profissional. XV de Piracicaba e Bragantino, diga-se de passagem, fora o fato de pertencerem ao interior paulista, não têm qualquer semelhança. A fase de preparação pode enganar para mais, nunca para menos. As carências ficaram evidentes após quatro jogos-treinos: nenhum gol foi marcado.

A baixa expectativa alimentada pela pré-temporada talvez explique o porquê de não estar surpreso com a má campanha. A limitação do plantel é evidente, tal qual a capacidade do técnico. Fahel Júnior é sim responsável pela ‘bagunça tática’ que se vê em campo: uma equipe frágil, desorganizada, torna-se presa ainda mais fácil. Contra a Ferroviária, o desespero criado após a virada da equipe de Araraquara foi inexplicável: zagueiro e lateral substituídos por atacantes, volante recuado para zagueiro… O adversário saiu de Piracicaba com três pontos sem fazer esforço no segundo tempo.

Há que se considerar ainda a falta de hierarquia. Com André Cunha lesionado, o grupo não tem um líder ou referência, que poderia ser o experiente e bom goleiro Luiz Fernando, também machucado. Justo reconhecer que o XV tem alguns bons valores, como Fraga (sobrecarregado), Romarinho ou Cassio Gabriel, mas é fraco enquanto coletivo. A equação é complicada: jogadores, técnico e gestor de futebol são ‘terceirizados’, mas o escudo não é. O maior problema é o XV acostumar-se ao marasmo e perder força, como anualmente vem acontecendo. Cada dia mais, importa menos. Preocupa.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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