fbpx
Opinião

Aula tática e de comprometimento

*Capa: Michel Lambstein

Ao entrar em campo para enfrentar o Mirassol, ontem (2), no mais uma vez lotado Barão da Serra Negra, o time do XV de Piracicaba tinha a exata noção de qual seria a postura do adversário. No decorrer da semana que antecedeu o jogo de volta da semifinal da Copa Paulista, o técnico Tarcísio Pugliese ‘rabiscou’ para o elenco a estratégia rival: como o Mirassol atacaria e por onde deveria ser atacado. Não se trata de análise oportunista; é informação apurada com jogadores e membros da comissão técnica, confirmada pelo que todo mundo viu ao longo dos mais de 100 minutos de partida.

Taticamente, o Alvinegro foi bastante superior. Elevou a marcação, sobretudo com o placar favorável, e neutralizou o bom setor de criação do Mirassol. Os primeiros 15 minutos, é verdade, trouxeram insegurança. Falhas pontuais, como o vacilo de Luiz Fernando, salvo pela trave; o recuo equivocado de Peri, que o próprio Luiz Fernando despachou; titubeada de Gilberto Alemão, que permitiu a finalização frontal de Juninho, centímetros fora do gol. Erros individuais, fruto de um provável nervosismo, não de ordem tática.

O Mirassol, equipe mais técnica, foi taticamente anulado pelo XV de Piracicaba. Em desvantagem no segundo tempo, o Leão teve enorme dificuldade para criar. O pouco que conseguiu veio na base da individualidade, como a pancada de Claudinho que beliscou o travessão de Luiz Fernando. Em vantagem numérica após a expulsão (infantil) de Kadu aos 47min, e com mais oito minutos de acréscimos para pressionar, o Mirassol tampouco foi efetivo. Ficou bagunçado. Evidente que a tensão (e o histórico) geraram um clima de incerteza, porém, friamente, o XV foi muito mais perigoso na etapa final.

Em dose generosa, a organização tática depende do comprometimento coletivo – o que os jogadores do XV de Piracicaba batalharam a cada bola ontem foi elogiável. A forma de entender o futebol de Tarcísio Pugliese pede essa intensidade. É inegável, aliás, que o treinador trouxe uma identidade ao time desde que chegou. Nós sabemos qual será a proposta do XV, em casa ou fora, e isso é um privilégio quando se fala em padrão de jogo. O comprometimento é algo que o torcedor piracicabano exige. Quando o público enxerga essa entrega, empurra sem hesitar. Nessas condições, é difícil bater o XV.

Em relação à torcida, aliás, cabe o registro: cinco dos dez maiores públicos em semifinais na história da Copa Paulista pertencem ao XV de Piracicaba. Além dos 10.270 torcedores que compareceram ontem ao Barão da Serra Negra, para acompanhar a vitória por 1×0 sobre o Mirassol, o Alvinegro possui outros quatro registros na lista: em 2017, contra a Inter de Limeira (7.499 pagantes); em 2014, contra o Santo André (6.818); em 2008 novamente contra o Mirassol (6.614); e em 2016, ano do título, contra o Rio Claro (5.415). O XV, goste ou não, é diferente.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

Voltar