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Aikidô

Arte transforma a vida de professor universitário

Estresse no trabalho levou João Batista a procurar atividade que virou paixão

João Batista de Camargo Junior, praticante de aikidô na Escola Aiki Kaizen de Piracicaba
João Batista de Camargo Junior é praticante de aikidô na Escola Aiki Kaizen de Piracicaba (Foto: Líder Esportes)

Não é exagero dizer que o aikidô transformou a vida de João Batista de Camargo Junior, 39, professor de pós-graduação em administração na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Natural de São Paulo, ele teve o primeiro contato com a arte marcial japonesa quando ainda vivia na capital paulista, com um amigo que praticava. Na época, eles dialogavam sobre o aikidô e a conversa despertava em João a vontade de treinar, mas a falta de tempo e de condições surgiram como obstáculos.

No interior há mais de uma década, o professor diz que nunca esqueceu os movimentos apresentados pelo amigo, quando ele tinha apenas 18 anos. Há sete, enfim, pintou a oportunidade de ingressar no mundo do aikidô. “Vinha trabalhando muito, estava estressado e tive que procurar alguma forma de controlar e melhorar minha cabeça. Já tinha feito musculação, mas achava monótono. A ideia ainda era praticar alguma arte marcial, mas a minha preocupação era começar depois de mais velho. Busquei na internet e soube que havia aikidô em Piracicaba. Aí eu me apaixonei. O ambiente é fantástico”, contou.

‘No aikidô, você nunca tenta suplantar o colega, e sim o seu limite. Com o tempo, você vê o quanto isso é importante’

João foi recebido na Escola Aiki Kaizen pelo sensei Roney Rodrigues Filho e participou de uma aula teste. De lá para cá, ele se graduou como faixa preta (1º dan) e viveu experiências únicas, como treino que fez em Nova Iorque, há cerca de cinco anos, com o mestre Yoshimitsu Yamada (8º dan), discípulo de Morihei Ueshiba, fundador da arte marcial. O fascínio pelo aikidô cresceu tanto que ele classifica como “horrível” o período de quatro meses que teve de se ausentar do dojo, fruto de uma ruptura nos ligamentos do joelho.

“Olha, ficar longe do aikidô foi um período horrível (risos). É um hábito na minha vida, interfere inclusive na saúde. A minha vida é bastante estressante, tenho muita responsabilidade e o aikidô é o que ‘limpa’ isso. Você foca no movimento, no tatame, e não tem como pensar em outra coisa naquele momento. Funciona como uma especie de terapia para mim. Quando fiquei fora, não senti apenas a parte física, mas também a questão mental. Tinha noção, mas não imaginava quanto isso fazia bem para minha vida”, disse o professor.

ROTINA

João treina, no mínimo, de duas a três vezes por semana, e garante que não o faz mais vezes por conta da falta de tempo. Segundo ele, alguns conceitos aprendidos com o aikidô são levados para a sala de aula. “Com certeza. Um dos princípios do aikidô é saber desviar de situações difíceis. É algo que levo não apenas para as aulas, mas para a vida. Saber que nem sempre é necessário reagir. Você pode acalmar as situações de conflito e, nesse ponto, a filosofia do aikidô é muito importante. É saber equilibrar as situações e também saber se desculpar”, afirmou.

Dentre os pilares da arte, o professor destaca o fato de não haver competitividade, algo que nem sempre compreendeu. “No começo, eu não entendia isso. Fui aprender no dia a dia. A competição leva a atitudes não tão boas pelo fato de se tentar suplantar um adversário. No aikidô, você nunca tenta suplantar o colega, e sim o seu próprio limite. Com o passar do tempo, você vê o quanto isso é importante. Em várias áreas as pessoas tentam ser melhores do que as outras, seja no âmbito político ou educacional […]. Isso gera um problema, pois alguém se sentirá mal de alguma forma”.

Além do fator agregador, João vê no aikidô uma ocasião para reforçar também as relações familiares. “Ajuda bastante nas relações pessoais. Em casa, o aikidô contribui para o equilíbrio. Minha família é super engajada comigo, minha esposa está junto, eles acompanham seminários. A minha mãe também. Em todas as minhas graduações, a família participa e apoia. A principal diferença do aikidô para as outra artes marciais, por mais que pareça clichê, é que não se trata de uma luta ou simplesmente exercício físico: é uma filosofia de vida”, finalizou o professor.

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