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Aikidô

Arte é decisiva para procurador ‘romper’ com estresse

Anderson Alves Teodoro chegou ao limite em 2011; contato com o aikido foi transformador

Anderson conheceu o aikidô no momento em que decidiu mudar a rotina da própria vida (Foto: Líder Esportes)

No final de 2011, o procurador federal Anderson Alves Teodoro, 40, chegou ao limite. A rotina focada no trabalho e nas responsabilidades o fez adoecer várias vezes. Numa delas, ficou quase um mês sem voz. A infecção na garganta fez ele buscar tratamento, mas o problema era outro: o estresse. Anderson decidiu mudar o estilo de vida e a primeira meta estabelecida foi a de praticar uma atividade física. “Assim, surgiu a vontade de procurar as artes marciais, eu já tinha praticado judô no passado e isso me ajudou muito a ter disciplina, ter mais disposição”, relatou.

Natural de São Paulo, o procurador vive em Piracicaba desde 2004, ano em que passou no concurso. No interior, ele não recorreu novamente ao judô. Em 2012, Anderson iniciou a trajetória no aikidô. mas não pergunte como. “Não sei como parei no aikidô (risos). Estava procurando judô e não sei por qual razão resolvi experimentar o aikidô. Sabia que não tem competição e também não queria me lesionar, mas não conhecia nada sobre a arte. Conversei com o sensei Roney (Rodrigues Rodrigues Filho, co-fundador da Escola Aiki Kaizen) e combinei de fazer um treino. No primeiro dia, vim de calça de moletom mesmo (risos)”, relembrou.

Anderson treina atualmente quatro vezes por semana. Segundo ele, não existe uma meta fixa a ser alcançada na arte

A receptividade e o caráter desafiador da arte marcial fundada por Morihei Ueshiba logo convenceram o procurador, embora o início tenha sido complicado. “Nas primeiras vezes, lembro que o corpo não obedecia o que eu queria fazer. Além disso, tive duas lesões sérias no caminho. Lesionei o ombro, rompi o tendão, e fiquei quatro meses afastado logo no começo. Foi difícil, mas o que me deu perseverança foi o fato de ter gostado tanto. Com o tempo, você começa a perceber diferentes aspectos do aikidô. Comecei pela atividade física, mas logo notei que tinha mais clareza e serenidade, melhorei o controle corporal e da respiração. A filosofia contribui muito na construção da técnica”, disse.

Recém-graduado faixa preta, Anderson treina atualmente quatro vezes por semana. Segundo ele, não existe uma meta fixa a ser alcançada na arte marcial japonesa. “A evolução que nós podemos alcançar é ilimitada, podemos avançar sempre, mas isso depende de quanto praticamos e de quanto compreendemos a essência do aikidô. Não dá para traçar uma meta, porque o aprendizado é infinito. A arte envolve vários aspectos filosóficos que interferem no comportamento dentro do tatame. Quando você estuda, começa a assimilar o que o fundador enxergou em uma técnica, por exemplo”.

REFERÊNCIAS

A faixa preta, igualmente, não foi uma meta preestabelecida por Anderson, que entende a graduação como aumento de responsabilidade. “Quando você se torna faixa preta, acaba sendo referência. Lembro que quando cheguei aqui, procurava saber com quem poderia aprender. A responsabilidade também aumenta. Não pensei em chegar nisso: fui treinando, entendendo minhas limitações e superando aos pouquinhos. Lembro que no exame anterior, o sensei queria marcar uma data, eu pedi mais tempo para me preparar melhor. São coisas que você vai sentindo”, destacou o procurador. Ao longo da trajetória no aikidô, ele guarda com carinho na memória um seminário do qual participou.

“Foi muito marcante para mim um seminário que fiz com o sensei Claude Berthiaume, em 2015. A qualidade técnica foi impressionante. Na época, eu já tinha algum conhecimento e isso me permitia entender algumas coisas. Quando fiz aquele seminário, estava confiante que iria aproveitar, mas logo vi que foi extremamente difícil (risos). Fiquei impressionado com o grau de desenvolvimento técnico. O sensei Claude Berthiaume é um cara normal, como a gente, mas o nível que ele conseguiu chegar foi realmente impressionante e isso me marcou bastante, porque vi que era possível. Esse nó que deu na minha cabeça serviu para me motivar”, finalizou.

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