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Líder Esportes

Opinião

Aprendendo com os erros

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Mesmo com os problemas que ocorreram durante o Campeonato Paulista, o XV de Piracicaba passou de fase e brigou pelo acesso a Série A1 de igual para igual com Guarani. Apesar do pouco tempo para refletir sobre o insucesso alvinegro, tento achar explicações pelas quais o objetivo não foi alcançado. Levando em consideração apenas a semifinal, posso dizer que faltou fazer a lição de casa, vencer no Barão da Serra Negra. Isso complicaria mais para o Guarani, pois nas duas partidas foram poucas chances de gol para ambos os lados. Quando teve uma chance clara para marcar, Fabinho chutou para fora. Diferente de Ricardinho, que saiu como herói do jogo. Não dá para perder um gol cara a cara com o goleiro em uma decisão. São esses ‘detalhes’ que fazem a diferença.

Analisando o Alvinegro pelo campeonato todo, ninguém armou a equipe melhor do que André Cunha. Depois de sua lesão, o XV não marcou mais gol. Trouxeram corretamente o camisa 9, Everton, que ficou mais isolado que Tom Hanks no filme ‘Náufrago’. Não houve tanta preocupação com quem levaria a bola para ele. Mas, por quê? O time foi montado para jogar com apenas um meia e três atacantes: dois abertos e um centralizado. Mais uma vez, os jogos-treinos enganaram muita gente. Acreditaram que as peças remanescentes da Copa Paulista, dariam conta do setor de criação. Deslumbraram-se com o currículo de Guly, achando que ele seria o craque da equipe. Se ele não tivesse pedido para sair, continuaria sendo escalado. Após sua saída, o Alvinegro embalou sete jogos sem derrota, e sofreu quatro gols em oito jogos.

A idade avançada de alguns atletas foi ponto muitas vezes abordado ao longo da competição. Não faltou luta, garra e determinação. Mas, para alguns atletas, faltou fôlego para aguentar o jogo todo. As substituições se tornavam previsíveis. Eram sempre os mesmos que não aguentavam a partida completa ou terminavam se arrastando. Foi importante montar um elenco ‘cascudo’ que suportasse pressão, mas existem outros jogadores com essa maturidade e que estão na casa dos 26 anos. Uma hora, a conta seria cobrada. Além de ‘pernas’ para reverter o placar em Campinas, faltaram peças de reposição à altura. Experiência é diferente de qualidade. O mínimo que eu espero de um lateral é que ele corra, marque e saiba cruzar uma bola.

O passado não muda, mas o futuro, sim. Ainda não consegui formar minha opinião sobre a permanência ou não do treinador Evaristo Piza. Da mesma forma que cometeu erros, também acertou bastante, mesmo contrariando a maioria. Não há o que falar sobre a pessoa: é do bem. Algo importante no futebol em geral, que é bastante sujo nos bastidores. Profissionalmente, não acredito que ele possa mostrar algo diferente do que já foi mostrado desde a Copa Paulista. Não se apega a um único sistema de jogo, não transfere a responsabilidade publicamente e deu oportunidades praticamente a todos os atletas, com exceção de Hugo e Rander. Conseguiu provar em campo, que consegue se superar nas adversidades. Talvez com outro grupo de jogadores, consiga algo diferente.

Porém, assim como o goleiro Mateus Pasinato, o treinador vive uma relação de amor e ódio com parte dos torcedores. Sempre que houver uma derrota, não prestará mais. Caso continue, não terá vida fácil para trabalhar. Em 38 jogos, foram 18 vitórias, 11 empates e nove derrotas. Aproveitamento de pontos de 57,01%. Não se conquista números assim só na base da sorte. Na Copa Paulista, quando a eliminação na segunda fase parecia precoce, o XV goleou a Portuguesa, em Piracicaba. Nas quartas de final, eliminou o São Caetano e só não foi à final da competição por ser derrotado nos pênaltis pela Inter de Limeira. Isso com o elenco mais barato que o XV já montou nos últimos anos. Após ser desacreditado na Série A2, deixou o XV entre as quatro melhores equipes da competição.

Será que neste momento, o melhor para o clube é dar a continuidade no trabalho que conhecemos ou começar tudo do zero mais uma vez? Ainda não sei. O fato é que nenhuma das opções é garantia de sucesso. Além disso, a realidade financeira permite contratar quem e trazer quais jogadores? Esqueçam nomes utópicos, pois não vai rolar. A política da atual gestão do XV nunca foi de fazer loucuras. A distância entre sonho e realidade no clube é muito grande.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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