fbpx
Opinião

Aposta de risco

*Capa: Claudinho Coradini/JP

A apatia apresentada contra o Rio Claro, na estreia da Série A2 do Campeonato Paulista, é mais preocupante do que a própria derrota sofrida pelo XV de Piracicaba. Perder é do jogo. A passividade não. A impaciência nas arquibancadas se deu pela falta de brio. Guly, escalado fora de posição como ele mesmo disse em sua apresentação, foi o bode expiatório. Mas, o problema não foi apenas comportamental; taticamente, a equipe não funcionou, embora o primeiro gol tenha condicionado a sequência da partida. O espaço entre meio-campo e ataque foi latente, e o Rio Claro fez o que quis no setor.

Nas entrevistas pós-Rio Claro e pré-Juventus, Evaristo Piza criticou a postura da equipe. Mas, senti falta da autocrítica. Piza errou na escalação. No treino de sexta-feira (19), houve mudanças. Duas foram forçadas: Oziel e Doni devem sair do time titular pelas condições médicas. Danilo Melega e Jean Pablo devem iniciar a partida. Na esquerda, Rubens Carvalho foi inscrito e pode ser titular. Os atletas mais experientes precisam dar suporte para o moleque. Pelo que vi, e vi ele apenas em treinamentos, tem ótimo potencial. Fruto da base.

Léo Carvalho será deslocado da lateral esquerda, posição em que nunca foi constante pelo XV de Piracicaba, para o meio-campo. Na criação, Léo Carvalho oscila, é verdade, mas não compromete. Na coletiva de ontem, Piza revelou que Guly pediu para atuar como primeiro volante. A entrevista foi exclusiva. Afinal, o site que você está lendo foi o único veículo de comunicação presente. Perguntei ao Piza se o deslocamento de Guly afetaria Bruno Formigoni. A resposta foi talvez. Ele ou Jonathan Costa, respondeu. No campo, não houve mistério: Guly, Jonathan Costa e Léo Carvalho formaram o meio-campo.

Depois, Piza experimentou Fraga no lugar de Jobinho, que treinou mal, alterando o posicionamento tático. Formigoni foi reserva ao longo do trabalho. Não chegou a ser testado ao lado de Guly. A troca chama a atenção, sobretudo porque o treinador conhece o que pode oferecer Formigoni. Ao lado de André Cunha e Fabinho, são os três líderes naturais do grupo. É o que se vê desde a distância. No apronto, Guly não foi mal. Mas, seu estilo de jogo não é de intensidade. É a característica dele. Na Série A2, para que a qualidade sobressaia, o sacrifício é predicado básico.

Formigoni, como os demais colegas de equipe, não estreou bem. Mas, após cobrar publicamente mudança de postura, me parece incoerente sacar do time o jogador com maior capacidade de entrega. A impressão que tenho é de que a substituição foi equivocada, porém, a sentença final será dada no campo. Na Rua Javari, Piza terá a segunda oportunidade de provar que suas convicções podem levar o XV de Piracicaba à elite do futebol estadual. A vitória é fundamental para encerrar qualquer burburinho.

Leonardo Moniz é jornalista e editor de conteúdo do LÍDER

Voltar