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Após genéricas, o Alviverde!

*Capa: Cesar Greco/Palmeiras

É muito estranho falar que alguém está feliz diante de uma terrível crise sanitária que assola o mundo. Lamentamos profundamente essa pandemia e pedimos a Deus que tudo isso passe o mais rápido possível. Agora, falando de futebol, 2020 foi um ano mágico para o torcedor palmeirense: campeão paulista, da Libertadores e da Copa do Brasil! Nem nos melhores sonhos o adepto alviverde esperava esse desfecho.

Para se ter uma ideia da dificuldade de conquistar tal feito, basta lembrar que o Palmeiras havia conquistado uma tríplice coroa pela última vez em 1993, ou seja, há 27 anos, quando venceu o Campeonato Paulista, o Torneio Rio-São Paulo e o Campeonato Brasileiro. Pode-se dizer, no entanto, que o trio de conquistas da última temporada foi ainda mais espetacular devido ao título sul-americano.

Foi a minha felicidade, pois nunca escondi de ninguém a minha paixão pela SEP. Quando criança cheguei a vestir a camisa da Ponte Preta e do São Paulo, ambas genéricas e compradas por minha mãe, que não entendia nada de futebol. Mas, por volta dos 9 anos, fui convencido por meus amigos a ver um treino do Palmeiras no antigo estádio Palestra Itália, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Não conseguimos (claro!) entrar, mas nunca mais larguei esse time desde então.

Cresci na chamada ‘década perdida’, termo que resume os anos 1980 para o palmeirense. Os tempos de sofrimentos foram criando uma casca de saber sofrer. Parece que o palestrino já sabia que o final era triste. Filme sempre repetido. Conformismo total. Lembro-me muito bem da final do Paulista de 1986. Da falha do Denís no gol da Inter de Limeira. Que baque! Ainda mais por que, na semifinais, havíamos goleado o Corinthians por 4×0, com direito a gol olímpico de Eder, aquele mesmo ponta-esquerda do timaço brasileiro campeão moral da Copa de 1982, na Espanha.

Mas esse não havia sido o pior dos mundos. Um ano antes, em 1985, o vexame histórico foi contra o XV de Jaú que, com dois jogadores a menos, bateu o Verdão por 3×2, em pleno Palestra Itália, e nos eliminou das finais do Estadual. Até o goleiro Leão e o zagueirão Luis Pereira falharam feio neste jogo. No dia seguinte, a chacota da imprensa: “Palmeiras é eliminado pelos 9 de Jaú”.

O torcedor palmeirense mais novo pode até não acreditar, mas foi assim! E ainda não acabou. Em 1990, foi a vez da tragédia de Bragança Paulista. O time palmeirense, comandando pelo agora técnico Emerson Leão, estava invicto no Paulistão até cruzar com o emergente Bragantino. No estádio Marcelo Stéfani, um impiedoso 3×0 para os donos da casa, fora o baile. Fim do sonho. Mais uma vez. E uma fila que já durava 14 anos.

Mas, a década perdida chegou ao fim e, com ela, viria a Parmalat. Novos rumos, novo uniforme e a volta das taças. Após o término do jejum, em 1993, o Palmeiras voltou a ser Palmeiras. Voltou a ser protagonista. Fim dos pesadelos. E entre altos e baixos, como todo clube grande, chegou até os dias de hoje com outros vários títulos no currículo.

Podemos dizer que essa trajetória pós-fila foi exitosa, mas nenhuma temporada se compara à de 2020. E olha que ainda não acabou. Se levantar as taças da Supercopa do Brasil, diante do Flamengo em jogo único, e da Recopa Sul-Americana, em duas partidas diante do Defensa Y Justicia, o Verdão vai cravar novamente as chamadas cinco coroas, igualando 1950-1951. Uma realidade muito plausível. Seria nada mal para fechar o maior ano da história centenária da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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