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Opinião

Apareça, presidente

*Capa: Arquivo/XV de Piracicaba

É necessário sublinhar que as linhas abaixo se referem apenas e exclusivamente ao papel que Arnaldo Bortoletto está desempenhando como presidente do XV de Piracicaba, cargo que ocupa desde o dia 13 de novembro de 2018. Não há uma palavra sequer dirigida à pessoa – não o conheço, mas prezo pelo respeito, dever básico que o tempo se encarregou de transformar em virtude.

No que diz respeito ao clube, posso avaliar: a gestão de Bortoletto é fraquíssima, e a demissão sem sentido de Tarcísio Pugliese, que ontem (15) completou uma semana, goste você ou não do treinador, é somente mais um erro que compõe a bela coleção de equívocos do presidente.

Não sou, fique claro, o maior entusiasta do trabalho de Pugliese, que poderia ter perdido o emprego sem grande objeção após o fracasso contra a Inter de Limeira, em 2019, na Série A2. Não perdeu, aplausos à continuidade.

O que não poderia ter ocorrido é a rescisão do contrato em plena pandemia, com a desculpa pífia de que o clube precisava “economizar”. Oras, economia no quarto mês após a paralisação? Que argumento fajuto!

É óbvio que a razão pela qual o treinador foi desligado não é financeira. Houve problema de ordem pessoal, como relatado aqui. Pugliese, que naturalmente se sentiu injustiçado, não ficou calado. Nem deveria. A versão do técnico, aliás, é a única que sabemos. O presidente continua quieto.

Bortoletto pouco fala e ouve. Ao assumir a cadeira mais nobre da direção, prometeu que faria no XV um mandato conjunto, que não tomaria medida alguma sozinho. Não está cumprindo. É ausente, dá as caras vez ou outra no Barão da Serra Negra e não teve a decência de comunicar pessoalmente o treinador sobre a demissão.

A verdade é que a relação do presidente com o clube é fria, do campo aos bastidores. No episódio mais recente, com a saída do técnico, tampouco falou com a imprensa, apesar de patrocinar boa parte dos veículos de comunicação da cidade.

Bortoletto já conduziu diferentes situações de maneira semelhante. O ex-jogador André Cunha, por exemplo, também ouviu promessas que não vingaram, algo que Pugliese salientou na entrevista concedida na última segunda-feira (13) para a Rádio Piramundo. A conduta para renovar o contrato de Simião, nas palavras do próprio volante, foi tomada por “desencontros”.

É, seguramente, uma gestão que vem sendo marcada pelo carimbo da omissão, passiva quanto aos problemas que rondam o clube, sejam eles financeiros ou de vestiário – ou quem sabe de uma perigosa relação entre ambos.

Pugliese escancarou nas entrevistas que deu: jogadores e diretores não concordaram com a decisão de Bortoletto, que está irredutível e isolado no XV. O presidente, alheio aos próprios diretores, apenas repetiu o protocolo habitual: considerou opiniões que vêm de fora do Barão da Serra Negra.

São vozes que questionam a necessidade de concentrar o elenco às vésperas de um jogo importante, que não enxergam razão para investir em estrutura e melhorar as condições de trabalho.

Nesta quarta-feira (15), Piracicaba acordou com três faixas espalhadas pela cidade, com os dizeres: “menos ego, mais XV” e “o XV é da cidade e do torcedor”. O XV demanda compromisso. Não pode ser cuidado de vez em quando. Com ou sem Pugliese.

Bortoletto tem a obrigação moral de explicar as decisões que toma quando existe interesse público. A terceira faixa estendida nas ruas é o termômetro do torcedor: “Arnaldo, o XV não é seu”.

Apareça, presidente.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

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