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Aikidô

Aos 5 anos, Léo luta contra tumor na vida e no tatame

Praticante de aikidô, menino enfrenta câncer no cérebro e dá exemplo de superação

Leandro Tanno e Leonardo Tanno
O pai de Léo é referência para o filho, que também quer ser jogador de futebol e pintor (Foto: Líder Esportes)

“O Léo tem 5 anos. Há dois, foi diagnosticado com um tumor no cérebro, o qual afetou a visão. Em agosto de 2016, foi realizada aqui em Piracicaba a cirurgia para a retirada do tumor, porém, o nervo ótico havia sido afetado. Os médicos retiraram parte do abcesso e o Léo começou novo tratamento, em Campinas. Em abril de 2017, descobrimos que o tumor tinha se desenvolvido novamente e os médicos não quiseram operar pelo risco de perder a visão. Então, ele começou um protocolo de quimioterapia com duração de dois anos. Na primeira etapa, o tumor reduziu 1,5 centímetros”.

O relato de Leandro Baltieri Tanno, ou apenas Biro, é sobre o filho, Leonardo Mendes Tanno, pouco antes do início de uma aula de aikidô, atividade física escolhida para auxiliar na recuperação. Enquanto Léo trocava de roupa no vestiário, Biro não fazia questão de esconder o olhar marejado, o que também não o impediu de contar a história do filho com detalhes, embora ele mesmo diga que não é capaz de explicar o que sente. “Ele tem um dia a dia como qualquer criança normal: vai para escola, acorda e toma banho sozinho. O Léo sabe o problema que tem, é uma criança bem instruída. E ele quer trabalhar comigo, pede para ir junto”, contou Biro.

“Léo começou a praticar aikidô na Escola Aiki Kaizen Piracicaba após a cirurgia, em fevereiro de 2017”

O tumor está localizado na faixa central do cérebro, o que pode resultar em novas sequelas. A primeira cirurgia afetou a hipófise, glândula responsável pelo controle da saciedade. “O Léo quer comer, ele perde a memória. Muitas vezes, ele acaba de fazer alguma coisa e quer repetir, diz que não lembra do que fez”, afirmou o pai. O aikidô, então, caiu como uma luva na vida de Léo. No início da quimioterapia, a oncologista pediu para interromper as aulas, mas ele retornou após o aval médico. “O aikidô faz muito bem para ele. Além do trabalho físico para queimar calorias, tem o lado educacional”, disse Biro.

Léo começou a praticar aikidô na Escola Aiki Kaizen Piracicaba após a cirurgia, em fevereiro de 2017, mas logo foi interrompido pelo desenvolvimento do tumor. A opção pela volta se deve aos benefícios que a arte marcial japonesa pode propiciar: disciplina, filosofia e perda de peso. “Devido ao tratamento, o Léo ficou com uma personalidade mais agressiva. É sintoma da medicação que ele toma, mas o aikidô consegue deixá-lo mais equilibrado. Além disso, tem a questão da obesidade, que também é controlada pela atividade física. Nós levamos ele para fazer algumas aulas e ele gostou. Os efeitos que o aikidô provoca contribuem muito para a vida dele”, contou Biro.

DESENVOLTURA

A desenvoltura do menino surpreende. No dojo, ele se diz consciente do problema que tem. Léo revelou o sonho de seguir os passos do pai, que é pintor. O papai e a mamãe, Graziele, são seus espelhos. “Eles ajudam bastante as pessoas que não tem dinheiro para comprar nada para os filhos. Eu tenho bastante orgulho dos meus pais, amo muito eles. O meu pai é pintor e jogador do Katatumba, e eu quero ser igual ele. Eu gosto de fazer gol”, disse Léo. Brincalhão, ele revelou os ciúmes de uma namoradinha que arrumou na escola, mas não quis dizer o nome dela para “evitar problemas”.

“Ela não pode me ver que fica dando aquela risada e fazendo cara de ciúme”, falou o garoto. Além de extrovertido, Léo é religioso. Perguntado sobre a quimioterapia, o menino tocou a coxa direita e disse que sentia algumas dores. Mas completou: “Não preciso disso”. Na simplicidade de uma criança de 5 anos, ele garantiu com uma convicção de adulto: “Deus salvou minha vida”. “Eu tinha um tumor na cabeça e faço quimioterapia lá no Boldrini (Campinas), mas estou curado. Eu tenho certeza disso”. A fé é compartilhada pelos pais.

Leandro Tanno e Leonardo Tanno

Biro carrega o filho Léo antes do início de uma aula de aikidô (Foto: Leonardo Moniz/Líder Esportes)

“No início, é um baque. Muita gente diz que imagina o que estamos sofrendo. Mas, não imagina. O que sustenta é a força dos amigos e de Deus. O Léo gosta muito de agradecer. Isso nos dá força. Eu creio que ele vai se recuperar. O Léo é uma criança muito ativa. Nos dias de quimioterapia, ele me diz: ‘Pai, eu não quero fazer quimioterapia. Deus salvou minha vida’. A gente recebe ajuda de amigos, a família realiza bingos e rifa as coisas que ganhamos. É uma batalha”, relatou Biro, que disse nunca ter colocado no papel os gastos mensais que tem com o filho.

“Nós procuramos ajudar as crianças que passam por problemas, principalmente as famílias de outros lugares que vêm aqui para realizar tratamentos. Nós levamos roupas, frutas, fazemos doações em espécie… há muitas pessoas carentes lá no Boldrini e que precisam de ajuda”, finalizou Biro. No dojo, Léo participava da aula do sensei Roney Rodrigues Filho. Afinal, o aikidô é um dos pilares de sua recuperação. “Eu gosto bastante de participar das aulas. O aikidô ensina muita coisa legal, aqui aprendi a me defender e recebo o carinho de todos. Eu também gosto de participar das brincadeiras. Fico melhor quando faço aikidô”, completou.

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