fbpx
Opinião

Ano positivo

Não dá para pautar o que foi 2019 para o esporte piracicabano simplesmente pelo desempenho geral (abaixo do esperado, é verdade) nos Jogos Abertos do Interior, em Marília. A 14ª posição não pode servir como base para avaliar o trabalho que é realizado na cidade. Afinal, Piracicaba não concentra a maior fatia dos investimentos que faz no esporte para o rendimento, embora os resultados sejam sempre ‘desejáveis’. A prioridade é o desenvolvimento – nesse contexto, é ótimo o serviço oferecido para a população: aulas gratuitas e qualificadas de diferentes esportes, boa estrutura, núcleos espalhados pela cidade. A evolução é notória, cabe o elogio.

No que diz respeito aos resultados, e não faz sentido restringir às modalidades envolvidas nos Jogos Abertos, são inúmeras conquistas expressivas do esporte piracicabano. A mais recente foi concretizada neste domingo (22): o piloto Bruno Leme sagrou-se bicampeão paulista de Fórmula 1.600, em Interlagos. Na esfera da performance, é relevante mencionar os karatecas Hernani Veríssimo, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, e Natalia Brozulatto, campeã nacional pela 12ª vez na carreira, de volta à seleção brasileira após duas gestações.

Impossível não colocar na conta a medalha de prata de Diogo Soares nas argolas, em Gyor, na Hungria, na primeira edição do Campeonato Mundial Juvenil de Ginástica Artística. O ginasta piracicabano é realmente especial, impressiona o potencial que tem. Em 2019, a canoagem da Ascapi também carregou o nome de Piracicaba para o lugar mais alto do pódio em uma competição internacional: Fábio Ramos, Pedro Aversa, Thiago Diniz, Thiago Serra e William Ferraz, além do técnico Rogério Lourenção, foram campeões mundiais de rafting na Turquia. Inesquecível.

Ao elencar conquistas nesta coluna, certamente serei traído pela memória e cometerei alguma injustiça. De cabeça, destaco o bom trabalho no kickboxing, que teve Marcos Alves campeão brasileiro profissional; o histórico ciclo do Cane Cutters no flag football feminino 5×5, com a quarta colocação na Copa do Brasil; o trabalho sério no futebol feminino do Caldeirão, que surpreendeu no Paulistão Sub-17; a evolução de Lucas Oliveira, o Mão de Pedra do muay thai; os títulos do Rezende no futsal feminino e da Fran TT no tênis de mesa, modalidade em que Ediane Bresciani brilhou de novo. Emblema do esporte local, o XV de Piracicaba teve um ano agridoce: foi bem em tudo o que disputou, mas não atingiu os objetivos. De consolação, a vaga Copa do Brasil.

Entre tantos projetos e resultados, a força do esporte foi provada a cada dia em Piracicaba. Sobram histórias: dos sonhos do menino Klaus Waller, iniciando a carreira com êxito no pentatlo moderno, à transformação do experiente Paulo Santos, professor de história e filosofia que abandonou o magistrado para se dedicar ao jiu-jitsu, e construir uma nova página da vida nos tatames; do talento da jovem Rebeca Fernandes, colecionando recordes no tiro com arco, aos sacrifícios de Vitor Wagner, o Mangue Seco, que aos 54 anos disputa cada batalha como se fosse a última. Foi um bom ano. Vem, 2020!

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

Voltar