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Amor à distância: XV completa um ano sem público no Barão

Saudades dos jogos, da atmosfera criada e até da 'experiência gastronômica' marcam período

XV de Piracicaba completa um ano com jogos sem presença de público
A atmosfera criada pelos torcedores em Piracicaba já deixa saudades: um ano sem público no Barão da Serra Negra

*Fotos: Mariana Kasten
*Texto: Caroline Castilho

Sete de março de 2020. Esse foi o último dia em que os portões do estádio Barão da Serra Negra se abriram para receber os torcedores. Essa foi a última vez que as arquibancadas do estádio municipal foram palco para os gritos de gol, cantos, som da bateria, bandeiras e toda a atmosfera que envolve um jogo de futebol pela visão da torcida. Na ocasião, 1.906 pessoas assistiram o XV de Piracicaba dormir na vice-liderança do Campeonato Paulista da Série A2 ao vencer a Portuguesa Santista por 1×0, com gol de Érick Gabriel, em jogo válido pela 11ª rodada da competição. No jogo seguinte, o Nhô Quim perdeu para o Taubaté fora de casa e a partir daí o torneio foi paralisado por conta da pandemia da covid-19. A saudade, um ano depois, é cada dia maior.

“Claro que a torcida faz muita falta, ela é parte essencial do espetáculo, o maior patrimônio de um clube, mas essa é a realidade que vivemos e essa ausência se faz necessária, pensando na saúde de todos, que deve ser sempre o fator principal. Diante disso, acredito que temos que nos adequar ao triste cenário de pandemia que vivemos, buscando novas fontes de receitas, trabalhando com um marketing forte, buscando novos patrocínios, mantendo os que estão conosco, aumentando nosso quadro de sócios-torcedores, entre outras ações. Não sabemos até quando ficaremos sem a renda de bilheteria e acredito que a volta dos torcedores aos estádios deva ocorrer da forma mais segura possível, e em seu tempo natural, com vacinação em massa e diversos protocolos. Portanto, temos que correr atrás de outras fontes de receitas”, apontou o presidente do XV, Rodolfo Geraldi.

‘Não lembro a idade em que fui pela primeira vez ao Barão, mas depois daquele dia o estádio virou minha segunda casa’

Atual presidente de honra e fundador da Torcida Esquadrão, Felipe Dario, o Gema, não mede palavras para explicar como tem sido a experiência de torcer do lado de fora do estádio. “Angustiante e triste. Não lembro a idade em que fui pela primeira vez ao Barão, mas sei que depois daquele dia o estádio passou a ser a minha segunda casa. É uma nova lição. Quando está liberado conseguimos ver alguns jogos pela TV da sede da torcida, mas em fase vermelha temos que ficar em casa e aí quem fica por perto é que precisa me aguentar durante o jogo. Grito na sala pensando que isso vai chegar aos atletas”, disse.

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Quem estava acostumado a ir ao Barão da Serra Negra, além de acompanhar o XV de perto, ainda tinha a oportunidade de vivenciar a ‘experiência gastronômica’ que um estádio, principalmente do interior, pode proporcionar: pipoca, amendoim, cachorro-quente e picolé. “Aquele cachorro-quente não tem igual. O pão, a salsicha e a batata palha marcaram a minha vida. Tem sido muito complicado ficar do lado de fora da arquibancada, a saudade chega a rasgar o peito, mas espero que logo estejamos de volta e que neste ano possamos subir né? Já está na hora”, destacou a torcedora Maria Eduarda Barbosa.

Sem a presença de público, grupos de torcedores foram autorizados a colocar os materiais dentro do estádio antes das partidas, o que é uma forma deles se sentirem representados nas arquibancadas. “A gente leva as bandeiras para tentar estar um pouco mais perto, sentir o clima mesmo não assistindo os jogos, mas é uma coisa muito triste. O futebol sem torcida perde a alma, mas esse não é um momento para ter aglomeração. Eu também sinto muita falta das caravanas, de viajar para assistir o XV em outras cidades. Isso dói o coração de verdade. Eu tenho saudades de ficar sete, oito horas dentro do ônibus, de sair sem saber que horas voltar, mas o importante era estar no estádio”, contou Guilherme Schmidt, o Shime.

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A presença de público no Barão da Serra Negra ocorreu pela última vez em março de 2020

EXPECTATIVAS

Depois de ver o XV de Piracicaba chegar à semifinal por três anos consecutivos e não conseguir o acesso para a elite do Campeonato Paulista, a torcida espera que a história de 2021 tenha um capítulo diferente – e mais feliz. “Costumo dizer que quando a gente vê a zebrada subindo o vestiário, acreditamos em tudo de novo. A expectativa é a melhor possível, temos um elenco forte, mesclando experiência e atletas da casa. Já conhecemos o trabalho de sucesso do Moisés (Egert, treinador), que nos tirou da A3 em 2010 e nos deixou na A1. Com o potencial do elenco, pois sabemos que os jogadores têm qualidade, com o coração na chuteira, a vontade de vencer e a raça durante todo o jogo, sem sombra de dúvidas somos um dos favoritos ao título”, disse Gema.

Esperança é a palavra que também motiva Shime a acreditar no acesso. “O XV contratou algumas peças pontuais. Agora o Mauricio Ramos (zagueiro) também chegou e na minha opinião temos a melhor zaga da Série A2. Com as contratações de jogadores experientes é possível mesclar com os atletas da base. Estou esperançoso. O XV precisa entrar no campeonato e o adversário sentir medo. Somos o maior campeão da A2, tem que respeitar, o time precisa impor isso e entrar em toda competição para ser campeão, pela estrutura que tem, pelo tamanho que é e pela torcida que o acompanha. O Moisés já passou por aqui, subiu com a gente em 2011 e se Deus quiser vamos conseguir sair desse buraco e retomar o nosso lugar”, finalizou.

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