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Altitude: quem tem, tem o direito de usar

*Capa: Divulgação

Há quem diz ser injusto, desumano, antidesportivo e inclusive antiético submeter os times brasileiros a atuarem em cidades sul-americanas com altitudes de 2.000, 3.000 metros acima do nível do mar em duelos válidos pelas competições do nosso continente. Sem querer polemizar, mas já polemizando, eu entendo que essa ‘choradeira’ não tem sentido.

Afinal, os clubes têm o direito de atuar em suas casas. Pense: que culpa tem essas equipes se os seus países estão geograficamente localizados no ‘topo do mundo’? Desculpa, mas cada um com seu problema. Muitas vezes, os times brasileiros conhecem com muita antecedência o adversário e o local do duelo, seja pela Libertadores ou pela Sul-Americana. Basta se preparar de forma adequada.

Entretanto, é mais fácil reclamar. Alguns dirigentes brasileiros, inclusive, já tiveram a coragem de pedir à Conmebol (entidade que comanda o futebol na América do Sul) a proibição das partidas na altitude. Agora eu pergunto: se fosse ao contrário, os clubes do Brasil não tirariam proveito dessa vantagem? Claro que sim. Por isso, eu acho pura hipocrisia de nossos clubes.

Logicamente, eu entendo o enorme prejuízo para os times não adaptados à altitude. Mas que culpa tem os anfitriões? Estão jogando em seus domínios, dentro de seus países e não podem ser proibidos desse ‘privilégio’. Cabe aos clubes brasileiros se planejarem de forma decente e, por meio de seus departamentos médico, físico e de fisiologia, montar um esquema perfeito, um antídoto contra a altitude.

Nesta quarta-feira (21), por exemplo, o Jorge Wilstermann aproveitou muito bem os 2.800 metros de altitude de Sucre para derrotar o Vasco da Gama pela Libertadores. Estão errados? Não. Nem mesmo o fato de o Wilstermann ter saído de sua cidade de origem, Cochabamba (que também é alto, a 2.500 metros de altitude), para atuar em Sucre serve de motivo de reclamação vascaína. Afinal, o time boliviano jogou em seu território nacional.

Sem uma preparação adequada, o Cruz-Maltino por pouco não perdeu a vaga na fase de grupos. Em Sucre, o Vasco não achou a bola, e foi presa fácil. O brasileiro Serginho (ex-XV de Novembro), do Wilstermann, deitou e rolou em cima do lateral Yago Pikachu e foi o destaque. Resultado 4 a 0 para o time boliviano. Na disputa por pênaltis, entretanto, brilhou a estrela do goleiro Martín Silva, que pegou três cobranças e garantiu a classificação brasileira.

Agora, resta a aprendizagem. Já que não podem mudar essa história, que os clubes brasileiros se adaptem para vencer, além do adversário, também essa dificuldade extracampo.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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