fbpx
Opinião

Ajuste de rota

*Capa: Arquivo/Líder Esportes

Fui absolutamente crítico com Arnaldo Bortoletto, presidente do XV de Piracicaba, no episódio que envolveu a rescisão de Tarcísio Pugliese. Agiu mal, como nas demais ocasiões que enumerei nas duas colunas anteriores que escreviclique aqui para acessar a primeira e neste link para ler o segundo texto. A saída do treinador, vale recordar, poderia ter sido o estopim para romper de vez o projeto que prima pelo acesso à elite do futebol paulista. Afinal, o cenário não era favorável no Barão da Serra Negra.

A ‘mini-crise’ instalada no clube parecia difícil de ser contornada e o temor de debandada aumentou com a possibilidade de que seis jogadores deixassem o XV. A diretoria, porém, fez muito bom trabalho: renovou os contratos do goleiro Mota, dos laterais Robertinho e Feijão, dos zagueiros Jussani, Douglas Marques, Muriel e Paulão, do volante Walfrido, dos meias Cirne e Daniel Costa e dos atacantes Caio Mancha, Érik Gabriel e Marcelinho. De quebra, contratou o lateral-esquerdo Samuel Balbino. É verdade que perdeu o zagueiro Alemão e o volante Bruno Lima, mas inegável que o impacto foi minimizado.

A direção agiu coletivamente e bem. A vinda do técnico Evaristo Piza foi a solução mais razoável: conhece a Série A2 do Campeonato Paulista, sabe como funciona o XV de Piracicaba e, principalmente, tem perfil menos ‘enérgico’, mais conciliador do que o antecessor. Não é verdade que a decisão de demitir Pugliese foi tomada em conjunto com a diretoria. Mas, é absoluta verdade que a escolha do substituto foi conjunta e que Bortoletto deu voz aos colegas de cúpula – como prometeu ao ser eleito em novembro de 2018.

Como sublinhei desde a primeira vez que opinei sobre o presidente, não há uma palavra sequer dirigida ao ser humano, uma vez que não o conheço. A análise é restrita à gestão. É justo, portanto, afirmar que na conduta ‘pós-Pugliese’, Bortoletto acertou. E não acertou sozinho, fique claro. A sensação no clube é de que o terremoto passou. Pude conversar com dois jogadores, na última segunda-feira (27), que enalteceram o modo de agir da diretoria: “Não deixaram faltar nada”, contaram. Por isso, renovaram. O discurso foi semelhante ao do capitão Diego Jussani, em entrevista à Rádio Piramundo, na mesma data (clique aqui para assistir).

Se, de fato, a situação estiver contornada, e o XV de Piracicaba entrar em campo no dia 19 de agosto focado única e exclusivamente no futebol, é sério candidato ao título na Série A2, uma vez que preservou a espinha dorsal do elenco, algo que a maioria dos concorrentes não fez. Nada disso, entretanto, apaga falhas que ocorreram pelo caminho. Mantenho: se o XV não conquistar o acesso, Bortoletto será apontado como maior culpado. Mas, se o acesso vier, reconheço que o presidente terá uma parcela significativa. Apesar dos erros cometidos.

Leonardo Moniz é editor de conteúdo do LÍDER

Voltar