fbpx
Opinião

Ainda dá tempo de corrigir os erros

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Após quatro rodadas do Campeonato Paulista da Série A2, é difícil explicar o que acontece com o XV de Piracicaba. Um bom retrospecto como visitante, com quatro pontos em dois jogos, e um ridículo como mandante, com duas derrotas e sete gols sofridos. O objetivo era contratar jogadores ‘cascudos’, para aguentar a pressão. Na prática, isso ainda não deu certo. Existe qualidade individual no elenco, mas, como um time, o Alvinegro ainda não se acertou. No decorrer das partidas, Evaristo Piza já testou 20 jogadores na competição. O time titular ainda divide opiniões. O meio de campo ainda causa dor de cabeça, seja na marcação ou criação.

Ainda tento entender o que levou os responsáveis pela montagem do elenco a contratar mais dois volantes, Guly e Jonathan Costa, sabendo-se que Bruno Formigoni, Gilson e Fraga tinham plenas condições de serem titulares. O XV precisava de um meia, isso era pedido desde a Copa Paulista, quando Alex Willian não agradou. Juntando as peças do quebra-cabeça, pela pré-temporada, treinamentos antes da estreia e conversas de bastidores, a resposta fica clara: Guly foi contratado para ser meia, por isso não chegou outro jogador para a setor.

O que a diretoria e comissão técnica não esperavam foi o que ocorreu na primeira partida, com as inúmeras vaias no estádio. O jogador não tem culpa, jogou fora de posição no intuito de ajudar. Era obrigação de quem contrata saber que ele não era meia. É claro que, publicamente, ninguém vai admitir isso. Agora bate o desespero, os salários sobem, tem que trazer alguém que esteja jogando, pois o campeonato é curto. Não faltou dinheiro, faltou analisar melhor antes de gastar.

Pois bem. Para recuperar o Guly, que tem qualidade com a bola nos pés, e é injusto achar que ele é o problema do time, Piza colocou no banco o seu melhor volante, Formigoni, que é mais veloz e rouba muito mais bolas, armando mais contra-ataques. Quem acompanhou o jogo contra a Portuguesa, no último sábado (27), e assistiu jogos do XV em 2017, sabe disso.

Muito foi falado sobre idade avançada do elenco no início das contratações, mas o XV sempre teve justificativas. Então, vamos analisar a partida contra o Oeste, que não pode ser desmerecido, pois é um bom time. No primeiro tempo, a equipe visitante chutou quantas bolas que levaram perigo ao gol? O Oeste não conseguia criar, o meio de campo estava congestionado e tinha jogadores mais jovens, com uma recuperação física mais rápida. Na volta para o segundo tempo, saíram Jonathan Costa (22 anos) e Léo Carvalho (28), para entradas de Jobinho (32) e André Cunha (38). Os que entraram, juntaram-se a Fraga (21), Guly (36), Fabinho (34) e Éverton (34), levando em consideração apenas meio-campo e ataque. O XV deu três chutes no gol, não fez, e tomou quatro em 25 minutos. É obvio que a idade, precisando correr atrás do placar, pesou.

Por mais que, individualmente, o atleta tenha qualidade, seja voluntarioso, corra bastante, arraste a cara, coletivamente, quando estiverem todos juntos, fisicamente, a idade vai pesar. A mescla de juventude e experiência é importante, mas tem que ser melhor analisada. O XV tem problemas, mas são solucionáveis. Com duas semanas cheias, sem jogos às quartas-feiras, o que todos esperam é uma reação da equipe. Já passou da hora do XV de Piracicaba fazer jus a torcida que tem. Vencer a Inter de Limeira não é um favor, é uma obrigação.

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

Voltar