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Opinião

Adeus, Kobe

Li a notícia da morte de Kobe Bryant por volta das 16h30 do domingo (26). Custei a acreditar. Como assim, ele morreu? As lendas não morrem! Mas, infelizmente, era verdade. Um dos maiores jogadores de basquete da história havia sofrido, nos EUA, um acidente fatal de helicóptero, no qual estava ainda uma de suas quatro filhas – Gianna, de 13 anos, e mais sete pessoas. Ninguém resistiu aos ferimentos.

Eu não cheguei a acompanhar muito a carreira de Michael Jordan, que é considerado até hoje o maior jogador de basquete de todos os tempos. Por isso, Kobe Bryant, para mim, sempre foi o número um. Kobe foi a minha referência quando se fala em NBA. E mais: ele foi um dos que me fizeram amar o esporte da bola laranja, juntamente com a Magic Paula e o Oscar Schmidt, o nosso Mão Santa.

Seja com a camisa 8 ou com a lendária 24, Kobe Bryant, também chamado carinhosamente de Black Mamba, fez coisas inimagináveis dentro de quadra. Não por coincidência, os comentaristas mais experientes dizem que o estilo de jogo dele o fazia ser o atleta mais parecido com o astro do Chicago Bulls. A minha paixão pelo basquete e pelo Los Angeles Lakers vinha desde a década de 1990, com a geração de Magic Johnson, Shaquille O’Neal e Kareem Abdul-Jabbar, este último já em final de carreira. E com a chegada de Kobe Bryant ao time virei um torcedor assíduo da franquia da Califórnia.

Kobe foi, talvez, o primeiro ídolo da NBA após a popularização da internet, quando as massas começaram a ter acesso aos jogos da liga estadunidense. Isso talvez explica tantos fãs pelos quatro cantos do mundo. Era admirado tanto por pessoas famosas, como Neymar e Barak Obama, como pelo mais humilde torcedor. E quando se fala em Kobe Bryant não se destaca ‘apenas’ os cinco títulos da NBA (2000, 2001, 2002, 2009 e 2010), o bicampeonato olímpico (2008 e 2012) ou as 18 participações no All-Star Game, sendo quatro delas como o MVP (2002, 2007, 2009 e 2011). Além de tudo isso, ele era um cara ‘gente fina pra caramba’, uma pessoa que não usurpou o fato de ser quem é: uma lenda.

Era uma astro sem protocolos, sem cerimônias. Sempre dizia que amava o futebol, em especial o brasileiro – até tentou, sem sucesso, a carreira de goleiro. E era fã declarado de Oscar Schmidt, que jogou com o pai dele na Itália e o conheceu ainda criança. Aliás, Oscar disse que a morte de Kobe “foi uma das maiores tristezas que sentiu em sua vida”.

Kobe Bryant nos deixou cedo. Muito cedo diria. Aos 41 anos e cheio de vida. Mas, a vida tem dessas coisas. Nos resta, agora, a saudade e a boa lembrança. O legado do único da história da NBA que teve duas camisas aposentadas. O exemplo que quem foi do ‘0 aos 60 pontos’, parafraseando uma das muitas expressões que os norte-americanos tão bem o definia. Descanse em paz Black Mamba!

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

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