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Opinião

Acúmulo de frustrações

EDITORIAL

A goleada sofrida contra o Oeste esgotou de vez a paciência dos torcedores do XV de Piracicaba. A insatisfação é proporcional à expectativa. Mais do que os resultados, condena-se a postura. A derrota é do esporte; a pasmaceira é inaceitável. Ademais, o clube permite a impressão de que desconhece a solução. Pós-derrota, não houve qualquer palavra da direção. Após a partida desta quarta-feira (24), foi Guly quem pediu o microfone. Precipitou-se, irremediavelmente.

Não é desafiando a voz das arquibancadas que se resgata o prestígio. Guly, que construiu carreira bela e sólida no futebol inglês, é verdade, vestiu apenas três vezes a camisa do XV de Piracicaba. Não é, em hipótese alguma, autoridade para proclamar-se dono da razão. O discurso de resguardo ao clube, do presidente ao garoto da base, saiu pela culatra: incita o confronto, quando a agremiação necessita harmonia. Mal colocadas, inclusive, as palavras que sugerem ao público ficar em casa antes de ir ao estádio para vaiar. Ninguém deixa o próprio conforto e paga bilhete (caro) para apupar; a vaia é o termômetro do produto que se vê.

As carências são cristalinas, tal qual a falta de pulso. A divisão de opiniões é latente no vestiário: três dias depois de Léo Carvalho tachar de ‘bestas’ os jornalistas que apontaram a necessidade de reforçar o meio-campo, Guly afirmou que uma criança seria capaz de enxergar a fragilidade do XV de Piracicaba no setor. No miolo do conflito, Evaristo Piza equilibra-se no linguajar ponderado. Nas entrelinhas, porém, está cada vez mais isolado: cada gesto do treinador será examinado com lupa. Publicamente, não houve respaldo. É a leitura que se faz, facilitada pelo silêncio da diretoria.

No epicentro da crise, feito rolo-compressor, a única verdade incontestável é que o XV de Piracicaba carrega hoje uma relação de desgaste com seus próprios adeptos. As expectativas têm sido invariavelmente superadas pelos fracassos, situação que leva à descrença. Os torcedores estão cansados de ver o XV naufragar; ver como passam pelo Barão da Serra Negra futebolistas com grau de compromisso duvidoso, e aqui não vale a generalização. A ausência da direção, por fim, também incomoda o público: provoca distância.

A Série A2 segue sábado (27) e o XV está obrigado a levantar-se. Como? Falando quem deve falar. Jogando bola quem deve jogar. Dignificar o escudo é o que se cobra. Nada além da obrigação.

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