fbpx

Líder Esportes

Opinião

A volta da alegria

Lembro-me como se fosse hoje quando, neste mesmo espaço, falava do início da pandemia no mundo e as consequências para o esporte. Foi no dia em que a OMS (Organização Mundial da Saúde) comunicava que o planeta estava tomado pelo coronavírus e que tudo deveria parar e as pessoas deveriam ficar em casa o máximo de tempo possível para evitar a proliferação do então desconhecido vírus. Era março de 2020.

Alguns dias depois, o futebol foi afetado. Duros e sucessivos golpes de um pugilista chamado Covid-19 que nos deixaram nas cordas, sofrendo aos poucos. Primeiro com os jogos sendo realizados com portões fechados e depois com a paralisação total. Foi voltando aos poucos após quatro meses de inatividade e foi possível, a duras penas, concluir as competições que foram iniciadas antes da pandemia ser decretada.

O público, entretanto, permaneceu impossibilitado de acompanhar aos jogos nos estádios. Prejuízo total para todos. Afinal, a bilheteria é uma das fontes de renda que os clubes contam no orçamento anual. Os planos de sócios-torcedores despencaram. Clubes que tinham até 100 mil sócios-torcedores, ficaram com 20, 30 mil. Outros, nem isso. No lado do torcedor, a tristeza por não ter o lazer preferido aos finais de semana.

Pois bem, após cerca de um ano e meio de pesadelo, no último final de semana o público voltou aos estádios do país pelo Campeonato Brasileiro – alguns clubes ainda optaram por não abrir para os torcedores. A tendência, no entanto, é que todos abram as arenas para os adeptos neste sábado e domingo. Não gosto desse termo, mas o ‘novo normal’ nos estádios está aí. É o que temos para o momento: 30% de público, máscara, álcool em gel, duas doses da vacina confirmadas antes de comprar os bilhetes, que estão com preços salgadíssimos. Mas, com tudo isso, estamos felizes. A alegria do futebol voltou.

O esporte mais popular do planeta não tem brilho sem os torcedores. Por mais que sejam, muitas vezes, inconvenientes com xingamentos, brigas e cornetagem, eles são parte efetiva do show chamado futebol. Esperamos que, após todo esse pesadelo, o comportamento do torcedor também mude… e para melhor, é claro. Com respeito e empatia por adeptos às cores rivais.

Já há, inclusive, um movimento em São Paulo para o retorno de bandeiras com mastro, que foram banidas devido à violência. As principais torcidas uniformizadas da capital, mais as de Ponte Preta e Guarani, se reuniram recentemente com a Polícia Militar e o Ministério Público para acertarem os últimos detalhes. As fumaças coloridas também estão em pauta. Vamos esperar para ver se esses benefícios sejam concedidos aos torcedores.

Sou do tempo em que tinha tudo isso nos estádios – bandeiras tremulando, fumaças com as cores dos clubes, fitas, papeis picados e fogos de artifício. Lindo espetáculo que, com a violência, foi saindo de cena. Tomara que a pandemia tenha deixado o ser humano mais consciente. E que possa voltar a fazer festa sem socar, apedrejar ou matar ninguém. Muito pelo contrário. Tudo pelo esporte que tanto amamos.

Erivan Monteiro é jornalista e cronista esportivo

Voltar