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Opinião

A vida ingrata de goleiro

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

A falha do goleiro Mateus Pasinato, no jogo contra a Portuguesa, mais uma vez reacendeu a relação de paixão e ódio que ele vive no XV de Piracicaba. Quem sempre o criticou, intensificou o tom das críticas. Quem o defende, acredita que ele continua com crédito e deve permanecer na meta quinzista. Não restam dúvidas que, da mesma forma que ele salva o XV, outras vezes também prejudica. Todos os jogadores cometem falhas, mas as dos goleiros são as que mais resultam em gols. O que é preciso levar em consideração é a frequência com que as falhas acontecem.

Vale a pena tirar o Pasinato para colocar um goleiro que ‘não falha’, mas que só pega as bolas fáceis? Eu não faria isso, mas buscaria um goleiro de alto nível para brigar por posição, na Série A2. É importante essa disputa por posição, para evitar uma zona de conforto. Acho o Mateus um bom goleiro, comprometido e várias vezes injustiçado. Erra como qualquer outro, e precisa ser cobrado quando os erros acontecem. Erro sem querer, também é erro. Em qualquer clube que existe torcida, tem sempre um ou outro atleta que acaba sendo perseguido. Cabe ao profissional ter personalidade, não se abater com as críticas e dar a resposta em campo.

Nos últimos anos, nenhum goleiro teve vida fácil no clube. O mais seguro e menos criticado foi o Roberto, que falhou contra o São Bento, mas, tecnicamente, foi o melhor da posição. Bruno Brígido foi outro nome que agradou. Evitou que o XV fosse rebaixado com rodadas de antecedência e falhou no último jogo, contra o Oeste. Se perguntar para os torcedores, cada um terá uma preferência. Os goleiros dos times grandes não têm vida fácil quando falham, no interior não é diferente. Quem acha que o Mateus não serve para o XV, não vai mudar de opinião. Ele pode fechar o gol o ano todo, que mesmo assim será cobrado, porque, em algum momento, como qualquer ser humano e profissional do futebol, ele vai falhar.

Quem não assistiu a Copa do Mundo de 2002 e viu apenas os gols, lembra da falha do Oliver Kahn na final. O que as pessoas não vão lembrar é que ele sofreu apenas um gol antes de chegar à final e salvou a Alemanha nas partidas vencidas por 1×0. Na minha opinião, foi disparado o melhor da Copa do Mundo. A falha ficou marcada, é fácil de lembrar. As defesas, com o tempo, são esquecidas, pois o gol é o ápice do futebol. A vida de um goleiro nunca foi e nunca será fácil. Até quando ele faz um ‘milagre’, defendendo uma bola dificílima, sofrendo o gol no rebote, dizem que ele espalmou para o lado errado. O goleiro sempre foi e será o ‘vilão’ preferido no futebol.

Marcelo Sá é radialista e jornalista na Rádio Jovem Pan News Piracicaba

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