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Opinião

A parceria do XV dará certo?

*Capa: Mauricio Bento/Líder Esportes

Após analisar quatro propostas oficiais, a diretoria do XV de Piracicaba chegou à definição de quem seria o parceiro do clube no segundo semestre de 2018, com a responsabilidade de montar o elenco para a Copa Paulista. É claro que, quando se fala de parceria, muitas questões precisam ser friamente analisadas. Não sabemos os detalhes do contrato e, aquelas ‘letras miúdas’ que sempre estão presentes na última folha, só descobrimos quando algo dá errado.

O ideal, obviamente, seria o Alvinegro ter uma saúde financeira boa, fechar o ano com superávit, não precisar passar o chapéu e nem correr atrás de parcerias. A realidade do clube está do lado oposto: déficit, empréstimos e cortes de gastos para equilibrar as finanças. Se o clube não consegue aumentar a arrecadação, tem mesmo que cortar os gastos, não há outro jeito. E justamente o futebol profissional, principal produto, marketing, atrativo do torcedor, é responsável por gerar muitos gastos. É aí que entra a parceria.

Mas, por que alguém vai investir dinheiro no clube? Por que visa retorno financeiro, que a princípio será através de valorização de jogadores e possíveis vendas. Por que a diretoria se submeteu a isso? Por que haviam poucas opções para o momento. Não seria mais vantajoso disputar a Copa Paulista com o time sub-20 e valorizar o produto do próprio clube? Na minha opinião, não. O time júnior já tem dificuldades encarando times na mesma categoria, imagine jogando contra uma equipe profissional. Promover um atleta ou outro é interessante, mas o elenco todo queimaria etapas na formação, iria expor o time de forma desnecessária a uma forte pressão da torcida, isso sem contar que dificilmente passaria de fase. O elenco é bem jovem, está sendo preparado para a Copa São Paulo de 2019, com idade mais baixa, no intuito de comercializar os atletas.

Para o XV, não há o que investir, só contas a pagar. Não gastar no segundo semestre, não fará o Alvinegro parar de sangrar, só diminuirá um pouco o sangramento. Para conter a hemorragia é preciso aumentar a receita, não há outra alternativa. Chegará um momento que não terá mais o que cortar. Relembro o que escrevi em abril sobre a situação financeira do clube: “Passado o Campeonato Paulista, o XV tem uma arrecadação mensal de R$ 182 mil e um gasto de R$ 156,6 mil”. Nesse cálculo, não contabilizo gastos com elenco profissional e empréstimos de terceiros, que precisam ser pagos.

A parceria dará certo? Cabe ao tempo responder. O discurso sempre é lindo, mas, só na prática é que saberemos. Desde que cumpra com as obrigações financeiras, para o XV me parece vantajoso, pois além de não gastar, estará no comando da situação. Se o clube for campeão, terá uma vaga na Série D do Brasileiro. Caso seja eliminado na primeira fase, ao menos não gastou. Isso seria ruim para o investidor. Mesmo assim, não acredito em um orçamento alto para a montagem do elenco, já que, pelo pouco que ouvi, sem conhecer a fundo os detalhes do contrato, me parece que a curto prazo o parceiro tem mais a perder. Por enquanto, só me preocupo com uma coisa: se a parceria não cumprir com as obrigações, quem assumirá a bucha?

Marcelo Sá é jornalista no Líder Esportes e na rádio Jovem Pan News Piracicaba

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